Ranking semanal: a manchete símbolo da manipulação midiática vai para a Folha
' Governo quer estimular portador de HIV a ter filho' (04-05)
Petizes da Folha ruminam insonia e sudoriase noturna; algo os inquieta nas noites maldormidas, quando a realidade bate pesado e não há Datafolha, nem 'yes men' que sancione aquilo que as manchetes antecipam com ansiosa disciplina diária: a vitória demotucana em outubro. Há fendas insondáveis entre o Brasil esfericamente maniqueísta estampado no órgão de circulação interna do clube tucano e a realidade além-Higienópolis. Frêmitos nervosos conectam a suspeita ao medo e este ao cinismo; a vergonha se esconde num canto qualquer da gaveta ao lado do manual de redação, nasce a manchete símbolo da manipulação midiática da semana: ' Governo quer estimular portador de HIV a ter filho' (04-05). Não, Lula não pretende criar uma bomba demográfica de HIV no coração da América Latina; não é tão fácil assim como os petizes sugerem diariamente aos leitores do clube.O governo, na verdade, apenas orienta casais portadores de vírus, que pretendam ter filhos, e não têm acesso a clínicas de reprodução, a fazê-lo com maior segurança e responsabilidade. É o oposto do que sugere a novilíngua criada pelo veículo da família Frias que apenas jogou mais um pedaço de carne podre para alimentar o ódio da classe média semi-culta e semi-informada que o jornal metaboliza diariamente. Os petizes das Barão de Limeira sabem disso; o texto do Ministério da Saúde é irretocável. Mas a sudoriase noturna incomoda. Não há desodorante para o medo da derrota que pode estar oculta por trás dos números, digamos, excessivamente confortáveis do Datafolha, bem como da coerência irretocável impressa diariamente no noticioso do 'clube'. Tudo pode ser apenas uma rastejante fraude histórica. Como a manchete da edição de 04-05. Aguardemos os comentários da nova ombudsman do jornal, Suzana Singer.
( Folha, uma credibilidade em ruína; Carta Maior , 08-05)
sábado, 8 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Guerra, paz e hegemonia no início do século XXI
Este texto abaixo, que prá cá transcrevo, é a conclusão de uma palestra dada por Eric Hobsbawm em Nova Délhi, a convite da Indian Review of Books, em 2004.
Achei oportuno postar, especialmente para aqueles que condenam nossa Política Externa, com a convicção de que teríamos que continuar nos alinhando aos EUA em várias frentes, a que hoje lhes somos divergentes, observando com isso uma tendência mundial, além de estarmos prezando pela nossa soberania e na certeza que não vivemos mais o séc. XX, além de sermos capazes de andarmos por nossas próprias pernas, em busca de nossas necessidades internas.
"Francamente, não consigo entender como o que ocorreu a partir do Onze de Setembro nos Estados Unidos pôde permitir a um grupo de alucinados políticos pôr em execução planos há muito acalentados de uma atuação unilateral em busca da supremacia mundial. Creio que isso indica uma crise crescente na sociedade americana, que encontra expressão na divisão política e cultural mais profunda ocorrida naquele país desde a guerra civil e numa aguda divisão geográfica entre a economia globalizada das duas costas marítimas e o interior, vasto e ressentido; entre as grandes cidades, culturalmente abertas, e o resto. Hoje, um regime de direita radial busca mobilizar os "verdadeiros americanos" contra alguma força malévola e contra um mundo que não reconhece a singularidade, a superioridade e o destino manifesto dos Estados Unidos. O que temos de compreender é que a política global americana não é voltada para fora, e sim para dentro, por mais que seu impacto sobre o resto do mundo tenha sido grande e desastroso. Ela não foi concebida para construir um império ou uma hegemonia efetiva. Tampouco a doutrina de Donald Rumsfeld - guerras rápidas contra adversários fracos, seguidas por retiradas também rápidas - foi concebida para produzir uma conquista global efetiva. Isso não a faz menos perigosa. Ao contrário. Como já ficou evidente, ela destila instabilidade, imprevisibilidade e agressão e terá consequencias não desejadas e quase certamente desastrosas. Com efeito, o perigo da guerra mais óbvio que existe hoje deriva de ambições globais do governo incontrolável e aparentemente irracional que está em Washington.
Como haveremos de viver neste mundo perigoso, desequilibrado explosivo, em meio a grandes deslizamentos das placas tectônicas nacionais e internacionais, sociais e políticas? Se estivéssemos conversando em Londres, eu alertaria os pensadores liberais do Ocidente, profundamete abalados pelos problemas de direitos humanos em diversas partes do mundo, para que não se deixem iludir pela crença de que a intervenção armada americana em outros países tem motivação igual à deles ou tem boas possibilidades de produzir os resultados que eles desejariam ver. Espero que isso não seja necessário aqui em Nova Délhi. Quanto aos outros governos, o melhor que podem fazer é demonstrar isolamento e , por conseguinte, os limites do atual poder mundial dos Estados Unidos, recusando-se firme e polidamente, a somar-se a novas iniciativas propostas por Washington que possam levar a ações militares, particularmente no Oriente Médio e na Ásia Oriental. Dar aos Estados Unidos a melhor chance de votar da megalomania para uma política externa racional é a tarefa mais imediata e urgente da política internacional. Pois, queiramos ou não, eles continuarão a ser uma superpotência, na verdade uma potência imperial, mesmo em uma era que indica seu evidente declínio econômico relativo. Esperamos, contudo, que seja uma superpotência menos perigosa
Achei oportuno postar, especialmente para aqueles que condenam nossa Política Externa, com a convicção de que teríamos que continuar nos alinhando aos EUA em várias frentes, a que hoje lhes somos divergentes, observando com isso uma tendência mundial, além de estarmos prezando pela nossa soberania e na certeza que não vivemos mais o séc. XX, além de sermos capazes de andarmos por nossas próprias pernas, em busca de nossas necessidades internas.
"Francamente, não consigo entender como o que ocorreu a partir do Onze de Setembro nos Estados Unidos pôde permitir a um grupo de alucinados políticos pôr em execução planos há muito acalentados de uma atuação unilateral em busca da supremacia mundial. Creio que isso indica uma crise crescente na sociedade americana, que encontra expressão na divisão política e cultural mais profunda ocorrida naquele país desde a guerra civil e numa aguda divisão geográfica entre a economia globalizada das duas costas marítimas e o interior, vasto e ressentido; entre as grandes cidades, culturalmente abertas, e o resto. Hoje, um regime de direita radial busca mobilizar os "verdadeiros americanos" contra alguma força malévola e contra um mundo que não reconhece a singularidade, a superioridade e o destino manifesto dos Estados Unidos. O que temos de compreender é que a política global americana não é voltada para fora, e sim para dentro, por mais que seu impacto sobre o resto do mundo tenha sido grande e desastroso. Ela não foi concebida para construir um império ou uma hegemonia efetiva. Tampouco a doutrina de Donald Rumsfeld - guerras rápidas contra adversários fracos, seguidas por retiradas também rápidas - foi concebida para produzir uma conquista global efetiva. Isso não a faz menos perigosa. Ao contrário. Como já ficou evidente, ela destila instabilidade, imprevisibilidade e agressão e terá consequencias não desejadas e quase certamente desastrosas. Com efeito, o perigo da guerra mais óbvio que existe hoje deriva de ambições globais do governo incontrolável e aparentemente irracional que está em Washington.
Como haveremos de viver neste mundo perigoso, desequilibrado explosivo, em meio a grandes deslizamentos das placas tectônicas nacionais e internacionais, sociais e políticas? Se estivéssemos conversando em Londres, eu alertaria os pensadores liberais do Ocidente, profundamete abalados pelos problemas de direitos humanos em diversas partes do mundo, para que não se deixem iludir pela crença de que a intervenção armada americana em outros países tem motivação igual à deles ou tem boas possibilidades de produzir os resultados que eles desejariam ver. Espero que isso não seja necessário aqui em Nova Délhi. Quanto aos outros governos, o melhor que podem fazer é demonstrar isolamento e , por conseguinte, os limites do atual poder mundial dos Estados Unidos, recusando-se firme e polidamente, a somar-se a novas iniciativas propostas por Washington que possam levar a ações militares, particularmente no Oriente Médio e na Ásia Oriental. Dar aos Estados Unidos a melhor chance de votar da megalomania para uma política externa racional é a tarefa mais imediata e urgente da política internacional. Pois, queiramos ou não, eles continuarão a ser uma superpotência, na verdade uma potência imperial, mesmo em uma era que indica seu evidente declínio econômico relativo. Esperamos, contudo, que seja uma superpotência menos perigosa
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Teatralização política nos E.U., impede oportunidades econômicas em Cuba
do Huffington Post
Embora charutos e salsa pareçam infames para o socialismo, pouca gente sabe que Cuba foi, recentemente, o maior exportador de arroz para os EUA e o quinto maior mercado de exportação da América Latina, para as exportações agrícolas aos EUA, tendo $20 bilhões no comércio com a América, ao longo dos últimos três anos. Nossa economia pode beneficiar fortemente a melhora nessas relações, ainda que afastá-lo como aliado potencial.
Quando viajei à Cuba, com uma delegação do Congresso, recentemente, tornou-se claro que o embargo é imprudente, politicamente, economicamente e socialmente. Todos estamos satisfeitos. Autoridades cubanas, EUA, organizações de comércio, jornalistas, adidos culturais, diplomatas estrangeiros e produtores rurais.
Politicamente, agora que a América Latina está ao lado de Cuba, como evidenciado pelas reintegrações diplomáticas com El Salvador e Costa Ria e com a reintegração de Cuba na OEA e na Comunidade da América Latina e das Caraíbas, mostra-se prejudicial aos EUA, suas relações que veem o bloqueio, como atraso.
Os EUA já estão marginalizados , pois a CLACS proíbe expressamente a participação dos EUA.
O impacto dessa aderência Latina para a insularidade, não é insignificante. O presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, que rejeitou os esforços da secretária Hillary Clinton para levar sanções contra o Irã, considera o grande apetite de Cuba pelo crescimento, investindo na agricultura,infra-estrutura, incluindo portos e hotéis e um acordo com a empresa de petróleo do Brasil.
Nós vamos ver mais disto. Os cubanos estão procurando pretendentes. Com o Banco do Sul, a América Latina tenta afastar os EUA e o Banco Mundial, mas temos Cuba, ainda ao comprimento do braço. O Brasil,mais provavelmente e os outros, vão tomar o nosso lugar.
Quantomais continuarmos listando Cuba como um estado patrocinador do terrorismo, uma acusação bastante criticada pelos diplomatas, mais risco de credibilidade de nosso regime de segurança nacional e de prestígio na região.
Economicamente, a importância da cooperação é ainda mais evidente. Apesar do embargo comercial,há algum envolvimento. Cuba continua a confiar na agricultura dos EUA. Desde 2002, temos sido o maior fornecedor de Cuba em produtos agrícolas e alimentares, com Cuba comprando mais de US$ 3,2 bilhões em produtos desde 2001.
Esta dependência agrícola esta em perigo, o que coloca em risco os agricultores americanos. Em 2008 as importações de alimentos de Cuba comos EUA somaram US $ 712 milhões, caiu a US $ 533 milhões ano passado e continuam em queda neste ano.
Além de alimentos, outros recursos naturais oferecem um potencial de parceria. Os EUA, geologicamente, estima que Cuba possui 9.000 milhões de barris de petróleo por explorar, juntamente com 9.000 milhões de metros cúbicos de gás natural. O governo cubano cita números mais elevados do petróleo, em 20 bilhões de barris. De qualquer maneira, não há dinheiro para ser feito, e os cubanos dão boas-vindas a participação de países que podem ajudá-los, a toque, no mercado do petróleo. Enquanto os E.U. desengata, países como Brasil, Rússia, Venezuela e China estão falando. Estamos claramente à falta de oportunidades de investimento.
Socialmente, os cubanos enfaticamente abraçam a convergência cultural entre os nossos países. Sua paixão pela música, arte, dança, história e arquitetura é onipresente, teem um desenho de 2,5 milhões de turistas anualmente para Cuba, 800 mil dos quais são canadenses. Se a proibição de viagens forem suspensas, 2 milhões de americanos são esperados imediatamente, crescendo a 4 milhões. Isso não é surpreendente. Havana mantém-se o maior do Caribe, a mais antiga e melhor preservada arquitetura colonial espanhola. O encanto da cidade é inebriante.
Devemos ampliar a cooperação em matéria de educação, medicina, ciência e esportes apoliticamente, melhorando o intercâmbios entre as populações. O presidente Barack Obama tem a autoridade para retornar as regras de acadêmicos, científicos, religiosos e outros "propósitos de viagem", de modo que a troca possa florescer novamente. Isto é como reconstruirmos relações.
Nada disto invalida as dferenças que caracterizam as relações EUA-Cuba. Os cubanos continuam pobres, independentemente da educação (em quase 100 por cento de alfabetização), ou cuidados de saúde (todo mundo está coberto, para tudo). O governo é inadequado ao serviço da população e há uma sociedade palpável de repensar o serviço público. A reforma está vindo, embora não tão rapidamente, ou na forma como os EUA gostariam e anualmente há um gasto de US $ 60 milhões na construção da democracia, que é distribuído clandestinamente para a mudança de regime, explicitamente. A América agrava o problema por incitar o governo, comprometendo a segurança dos reformadores e marginalizando os EUA. A propensão, ao posicionamento dos EUA sobre os comunicados à Cuba relacionadas principalmente como reprimendas sobre os direitos humanos ressoa como uma singularização inconsistente fora.
Em meio à aspereza, os EUA e Cuba estão cautelosamente coordenados em áreas de interesse mútuo, tais como migração, luta contra a droga e prevenção de catástrofes. Os EUA deve tirar partido disto mais cedo ou mais tarde, antes de optar por outros, enquanto nós opt out. Cuba não é o inimigo. Ela pode frustrar a propensão americana para a promoção da democracia, mas seu comportamento não é nada de tão nefasto como o de certo aliado dos EUA, em outro lugar.
Rep. Mike Honda é uma democrata da Califórnia
Embora charutos e salsa pareçam infames para o socialismo, pouca gente sabe que Cuba foi, recentemente, o maior exportador de arroz para os EUA e o quinto maior mercado de exportação da América Latina, para as exportações agrícolas aos EUA, tendo $20 bilhões no comércio com a América, ao longo dos últimos três anos. Nossa economia pode beneficiar fortemente a melhora nessas relações, ainda que afastá-lo como aliado potencial.
Quando viajei à Cuba, com uma delegação do Congresso, recentemente, tornou-se claro que o embargo é imprudente, politicamente, economicamente e socialmente. Todos estamos satisfeitos. Autoridades cubanas, EUA, organizações de comércio, jornalistas, adidos culturais, diplomatas estrangeiros e produtores rurais.
Politicamente, agora que a América Latina está ao lado de Cuba, como evidenciado pelas reintegrações diplomáticas com El Salvador e Costa Ria e com a reintegração de Cuba na OEA e na Comunidade da América Latina e das Caraíbas, mostra-se prejudicial aos EUA, suas relações que veem o bloqueio, como atraso.
Os EUA já estão marginalizados , pois a CLACS proíbe expressamente a participação dos EUA.
O impacto dessa aderência Latina para a insularidade, não é insignificante. O presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, que rejeitou os esforços da secretária Hillary Clinton para levar sanções contra o Irã, considera o grande apetite de Cuba pelo crescimento, investindo na agricultura,infra-estrutura, incluindo portos e hotéis e um acordo com a empresa de petróleo do Brasil.
Nós vamos ver mais disto. Os cubanos estão procurando pretendentes. Com o Banco do Sul, a América Latina tenta afastar os EUA e o Banco Mundial, mas temos Cuba, ainda ao comprimento do braço. O Brasil,mais provavelmente e os outros, vão tomar o nosso lugar.
Quantomais continuarmos listando Cuba como um estado patrocinador do terrorismo, uma acusação bastante criticada pelos diplomatas, mais risco de credibilidade de nosso regime de segurança nacional e de prestígio na região.
Economicamente, a importância da cooperação é ainda mais evidente. Apesar do embargo comercial,há algum envolvimento. Cuba continua a confiar na agricultura dos EUA. Desde 2002, temos sido o maior fornecedor de Cuba em produtos agrícolas e alimentares, com Cuba comprando mais de US$ 3,2 bilhões em produtos desde 2001.
Esta dependência agrícola esta em perigo, o que coloca em risco os agricultores americanos. Em 2008 as importações de alimentos de Cuba comos EUA somaram US $ 712 milhões, caiu a US $ 533 milhões ano passado e continuam em queda neste ano.
Além de alimentos, outros recursos naturais oferecem um potencial de parceria. Os EUA, geologicamente, estima que Cuba possui 9.000 milhões de barris de petróleo por explorar, juntamente com 9.000 milhões de metros cúbicos de gás natural. O governo cubano cita números mais elevados do petróleo, em 20 bilhões de barris. De qualquer maneira, não há dinheiro para ser feito, e os cubanos dão boas-vindas a participação de países que podem ajudá-los, a toque, no mercado do petróleo. Enquanto os E.U. desengata, países como Brasil, Rússia, Venezuela e China estão falando. Estamos claramente à falta de oportunidades de investimento.
Socialmente, os cubanos enfaticamente abraçam a convergência cultural entre os nossos países. Sua paixão pela música, arte, dança, história e arquitetura é onipresente, teem um desenho de 2,5 milhões de turistas anualmente para Cuba, 800 mil dos quais são canadenses. Se a proibição de viagens forem suspensas, 2 milhões de americanos são esperados imediatamente, crescendo a 4 milhões. Isso não é surpreendente. Havana mantém-se o maior do Caribe, a mais antiga e melhor preservada arquitetura colonial espanhola. O encanto da cidade é inebriante.
Devemos ampliar a cooperação em matéria de educação, medicina, ciência e esportes apoliticamente, melhorando o intercâmbios entre as populações. O presidente Barack Obama tem a autoridade para retornar as regras de acadêmicos, científicos, religiosos e outros "propósitos de viagem", de modo que a troca possa florescer novamente. Isto é como reconstruirmos relações.
Nada disto invalida as dferenças que caracterizam as relações EUA-Cuba. Os cubanos continuam pobres, independentemente da educação (em quase 100 por cento de alfabetização), ou cuidados de saúde (todo mundo está coberto, para tudo). O governo é inadequado ao serviço da população e há uma sociedade palpável de repensar o serviço público. A reforma está vindo, embora não tão rapidamente, ou na forma como os EUA gostariam e anualmente há um gasto de US $ 60 milhões na construção da democracia, que é distribuído clandestinamente para a mudança de regime, explicitamente. A América agrava o problema por incitar o governo, comprometendo a segurança dos reformadores e marginalizando os EUA. A propensão, ao posicionamento dos EUA sobre os comunicados à Cuba relacionadas principalmente como reprimendas sobre os direitos humanos ressoa como uma singularização inconsistente fora.
Em meio à aspereza, os EUA e Cuba estão cautelosamente coordenados em áreas de interesse mútuo, tais como migração, luta contra a droga e prevenção de catástrofes. Os EUA deve tirar partido disto mais cedo ou mais tarde, antes de optar por outros, enquanto nós opt out. Cuba não é o inimigo. Ela pode frustrar a propensão americana para a promoção da democracia, mas seu comportamento não é nada de tão nefasto como o de certo aliado dos EUA, em outro lugar.
A hora é agora para participar. Os cubanos estão cada vez mais confabulando sobre a reforma da linha lateral, enquanto nós mesmos, só na conversa.
Rep. Mike Honda é uma democrata da Califórniaterça-feira, 4 de maio de 2010
Lula, as elites e o vira-latas

DEBATE ABERTO
Lula, as elites e o vira-latas
É extremamente interessante que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio!
Francisco Carlos Teixeira
Seguindo outros grandes meios de comunicação globais, a revista Time escolheu – na semana passada - o presidente Lula como o líder mais influente do mundo. A notícia repercutiu em todo o mundo, sendo matéria de primeira página, no jornalão El País.
Elite e preconceito
Na verdade a matéria o apontava como o homem mais influente do mundo, posto que nem só políticos fossem alinhados na larga lista composta pelo Time. Esta não é a primeira vez que Lula merece amplo destaque na imprensa mundial. Os jornais Le Monde, de Paris, e o El País, o mais importante meio de comunicação em língua espanhola (e muito atento aos temas latino-americanos) já haviam, na virada de 2009, destacado Lula como o “homem do ano”. O inédito desta feita, com a revista Time, foi fazer uma lista, incluindo aí homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. Entre os quais está o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, o presidente do Brasil aparece como o mais influente de todas as personalidades globais. Por si só, dado o ponto de partida da trajetória de Lula e as deficiências de formação notórias é um fato que merece toda a atenção. No Brasil a trajetória de Lula tornou-se um símbolo contra toda a forma de exclusão e um cabal desmentido aos preconceitos culturalistas que pouco se esforçam para disfarçar o preconceito social e de classe.
É extremamente interessante, inclusive para uma sociologia das elites nacionais, que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com grande déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio sepulcral!
Lula Líder Mundial
Desde 2007 a imprensa mundial, depois de colocá-lo ao lado de líderes cubanos e nicaraguenhos num pretenso “eixinho do mal”, teve que aceitar a importância da presença de Lula nas relações internacionais e reconhecer a existência de uma personalidade original, complexa e desprovida de complexos neocoloniais. Em 2008 a Newsweek, seguida pela Forbes, admitiam Lula como um personagem de alcance mundial. O conservador Financial Times declarava, em 2009, que Lula, “com charme e habilidade política” era um dos homens que haviam moldado a primeira década do século XXI. Suas ações, em prol da paz, das negociações e dos programas de combate à pobreza eram responsáveis pela melhor atenção dada, globalmente, aos pobres e desprovidos do mundo.
Mesmo no momento da invasão do Iraque, em busca das propaladas “armas de destruição em massa”, Lula havia proposto a continuidade das negociações e declarado que a guerra contra a fome era mais importante que sustentar o complexo industrial-militar norte-americano.
Em 2010, em meio a uma polêmica bastante desinformada no Brasil – quando alguns meios de comunicação nacionais ridicularizaram as propostas de negociação para a contínua crise no Oriente Médio – o jornal israelense Haaretz – um importante meio de comunicação marcado por sua independência – denominou Lula de “profeta da paz”, destacando sua insistência em buscar soluções negociadas para a paz. Enquanto isso, boa parte da mídia brasileira, fazendo eco à extrema-direita israelense, procurava diminuir o papel do Brasil na nova ordem mundial.
Lula, talvez mesmo sem saber, utilizando-se de sua habilidade política e de seu incrível sentido de negociações, repetia, nos mais graves dossiês internacionais, a máxima de Raymond Aron: a paz se negocia com inimigos. As exigências, descabidas e mal camufladas de recusa ás negociações, sempre baseadas em imposições, foram denunciadas pelo presidente brasileiro. Idéias pré-concebidas estabelecendo a necessidade de mudar regimes para se ter a paz ou usar as baionetas para garantir a democracia foram consideradas, como sempre, desculpas para novas guerras. Lula mostrou-se, em várias das mais espinhosas crises internacionais, um negociador permanente. Foi assim na crise do golpe de Estado na Venezuela em 2002 (quando ainda era candidato) e nas demais crises sul-americanas, como na Bolívia, com o Equador e como mediador em crises entre outros países.
Lula negociador
O mais surpreendente é que o reconhecimento internacional do presidente brasileiro não traz qualquer orgulho para a elite brasileira. Ao contrário. Lula foi ridicularizado por sua política no Oriente Médio. Enquanto isso o presidente de Israel, Shimon Perez ou o Grande-Rabino daquele país solicitavam o uso do livre trânsito do presidente para intervir junto ao irascível presidente do Irã. Dizia-se aqui que Lula ofendera Israel, enquanto o Haaretz o chamava de “profeta da paz” e a Knesset (o parlamento de Israel) o aplaudia em pé. No mesmo momento o Brasil assinava importantes acordos comerciais com Israel.
Ridicularizou-se ao extremo a atuação brasileira em Honduras, sem perceber a terrível porta que se abria com um golpe militar no continente. Lula teve a firmeza e a coragem, contra a opinião pública pessimamente informada, de dizer e que “... a época de se arrancar presidentes de pijama” do palácio do governo e expulsá-los do país pertencia, definitivamente, a noite dos tempos.
Honduras teve que arcar com o peso, e os prejuízos, de sustentar uma elite empedernida, que escrevera na constituição, após anos de domínio ditatorial, que as leis, o mundo e a vida não podem ser mudados. Nem mesmo através da expressa vontade do povo! E a elite brasileira preferiu ficar ao lado dos golpistas hondurenhos e aceitar um precedente tenebroso para todo o continente.
Brasil, país no mundo!
Também se ridicularizou a abertura das relações do Brasil com o conjunto do planeta. Em oito anos abriu-se mais de sessenta novas representações no exterior, tornando o Brasil um país global. Os nostálgicos do “circuito Helena Rubinstein” – relações privilegiadas com Nova York, Londres e Paris – choraram a “proletarização” de nossas relações. Com a crise econômica global – que desmentiu os credos fundamentalistas neoliberais – a expansão do Brasil pelo mundo, os novos acordos comerciais (ao lado de um mercado interno robusto) impediram o Brasil de cair de joelhos. Outros países, atrelados ao eixo norte-atlântico e aqueles que aceitaram uma “pequena Alca”, como o México, debatem-se no fundo de suas infelicidades. Lula foi ridicularizado quando falou em “marolhinha”. Em seguida o ex-poderoso e o ex-centro anti-povos chamado FMI, declarou as medidas do governo Lula como as mais acertadas no conjunto do arsenal anti-crise.
Mais uma vez silêncio das elites brasileiras!
Lula foi considerado fomentador da preguiça e da miséria ao ampliar, recriar, e expandir ações de redistribuição de renda no país. A miséria encolheu e mais de 91 milhões de brasileiros ascenderam para vivenciar novos patamares de dignidade social... A elite disse que era apoiar o vício da preguiça, ecoando, desta feita sabendo, as ofensas coloniais sobre “nativos” preguiçosos. Era a retro-alimentação do mito da “pereza ibérica”. Uma ajuda de meio salário, temporária, merece por parte da elite um bombardeio constante. A corrupção em larga escala, dez vezes mais cara e improdutiva ao país que o Bolsa Família, e da qual a elite nacional não é estranha, nunca foi alvo de tantos ataques.
A ONU acabou escolhendo o Programa Bolsa Família como símbolo mundial do resgate dos desfavorecidos. O ultra-conservador jornal britânico The Economist o considerou um modelo de ação para todos os países tocados pela pobreza e o Le Monde como ação modelar de inclusão social.
Mais uma vez a elite nacional manteve-se em silêncio!
Em suma, quando a influente revista, sem anúncios do governo brasileiro, Time escolhe Lula como o líder mais influente do mundo, a mídia brasileira “esquece” de noticiar. Nas páginas internas, tão encolhidas como um vira-lata em dia de chuva noticia-se que Lula “... está entre os 25 lideres mais influentes do mundo”. Errado! A lista colocava Lula como “o mais” influente do mundo.
Agora se espera o silêncio da elite brasileira!
Elite e preconceito
Na verdade a matéria o apontava como o homem mais influente do mundo, posto que nem só políticos fossem alinhados na larga lista composta pelo Time. Esta não é a primeira vez que Lula merece amplo destaque na imprensa mundial. Os jornais Le Monde, de Paris, e o El País, o mais importante meio de comunicação em língua espanhola (e muito atento aos temas latino-americanos) já haviam, na virada de 2009, destacado Lula como o “homem do ano”. O inédito desta feita, com a revista Time, foi fazer uma lista, incluindo aí homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. Entre os quais está o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, o presidente do Brasil aparece como o mais influente de todas as personalidades globais. Por si só, dado o ponto de partida da trajetória de Lula e as deficiências de formação notórias é um fato que merece toda a atenção. No Brasil a trajetória de Lula tornou-se um símbolo contra toda a forma de exclusão e um cabal desmentido aos preconceitos culturalistas que pouco se esforçam para disfarçar o preconceito social e de classe.
É extremamente interessante, inclusive para uma sociologia das elites nacionais, que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com grande déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio sepulcral!
Lula Líder Mundial
Desde 2007 a imprensa mundial, depois de colocá-lo ao lado de líderes cubanos e nicaraguenhos num pretenso “eixinho do mal”, teve que aceitar a importância da presença de Lula nas relações internacionais e reconhecer a existência de uma personalidade original, complexa e desprovida de complexos neocoloniais. Em 2008 a Newsweek, seguida pela Forbes, admitiam Lula como um personagem de alcance mundial. O conservador Financial Times declarava, em 2009, que Lula, “com charme e habilidade política” era um dos homens que haviam moldado a primeira década do século XXI. Suas ações, em prol da paz, das negociações e dos programas de combate à pobreza eram responsáveis pela melhor atenção dada, globalmente, aos pobres e desprovidos do mundo.
Mesmo no momento da invasão do Iraque, em busca das propaladas “armas de destruição em massa”, Lula havia proposto a continuidade das negociações e declarado que a guerra contra a fome era mais importante que sustentar o complexo industrial-militar norte-americano.
Em 2010, em meio a uma polêmica bastante desinformada no Brasil – quando alguns meios de comunicação nacionais ridicularizaram as propostas de negociação para a contínua crise no Oriente Médio – o jornal israelense Haaretz – um importante meio de comunicação marcado por sua independência – denominou Lula de “profeta da paz”, destacando sua insistência em buscar soluções negociadas para a paz. Enquanto isso, boa parte da mídia brasileira, fazendo eco à extrema-direita israelense, procurava diminuir o papel do Brasil na nova ordem mundial.
Lula, talvez mesmo sem saber, utilizando-se de sua habilidade política e de seu incrível sentido de negociações, repetia, nos mais graves dossiês internacionais, a máxima de Raymond Aron: a paz se negocia com inimigos. As exigências, descabidas e mal camufladas de recusa ás negociações, sempre baseadas em imposições, foram denunciadas pelo presidente brasileiro. Idéias pré-concebidas estabelecendo a necessidade de mudar regimes para se ter a paz ou usar as baionetas para garantir a democracia foram consideradas, como sempre, desculpas para novas guerras. Lula mostrou-se, em várias das mais espinhosas crises internacionais, um negociador permanente. Foi assim na crise do golpe de Estado na Venezuela em 2002 (quando ainda era candidato) e nas demais crises sul-americanas, como na Bolívia, com o Equador e como mediador em crises entre outros países.
Lula negociador
O mais surpreendente é que o reconhecimento internacional do presidente brasileiro não traz qualquer orgulho para a elite brasileira. Ao contrário. Lula foi ridicularizado por sua política no Oriente Médio. Enquanto isso o presidente de Israel, Shimon Perez ou o Grande-Rabino daquele país solicitavam o uso do livre trânsito do presidente para intervir junto ao irascível presidente do Irã. Dizia-se aqui que Lula ofendera Israel, enquanto o Haaretz o chamava de “profeta da paz” e a Knesset (o parlamento de Israel) o aplaudia em pé. No mesmo momento o Brasil assinava importantes acordos comerciais com Israel.
Ridicularizou-se ao extremo a atuação brasileira em Honduras, sem perceber a terrível porta que se abria com um golpe militar no continente. Lula teve a firmeza e a coragem, contra a opinião pública pessimamente informada, de dizer e que “... a época de se arrancar presidentes de pijama” do palácio do governo e expulsá-los do país pertencia, definitivamente, a noite dos tempos.
Honduras teve que arcar com o peso, e os prejuízos, de sustentar uma elite empedernida, que escrevera na constituição, após anos de domínio ditatorial, que as leis, o mundo e a vida não podem ser mudados. Nem mesmo através da expressa vontade do povo! E a elite brasileira preferiu ficar ao lado dos golpistas hondurenhos e aceitar um precedente tenebroso para todo o continente.
Brasil, país no mundo!
Também se ridicularizou a abertura das relações do Brasil com o conjunto do planeta. Em oito anos abriu-se mais de sessenta novas representações no exterior, tornando o Brasil um país global. Os nostálgicos do “circuito Helena Rubinstein” – relações privilegiadas com Nova York, Londres e Paris – choraram a “proletarização” de nossas relações. Com a crise econômica global – que desmentiu os credos fundamentalistas neoliberais – a expansão do Brasil pelo mundo, os novos acordos comerciais (ao lado de um mercado interno robusto) impediram o Brasil de cair de joelhos. Outros países, atrelados ao eixo norte-atlântico e aqueles que aceitaram uma “pequena Alca”, como o México, debatem-se no fundo de suas infelicidades. Lula foi ridicularizado quando falou em “marolhinha”. Em seguida o ex-poderoso e o ex-centro anti-povos chamado FMI, declarou as medidas do governo Lula como as mais acertadas no conjunto do arsenal anti-crise.
Mais uma vez silêncio das elites brasileiras!
Lula foi considerado fomentador da preguiça e da miséria ao ampliar, recriar, e expandir ações de redistribuição de renda no país. A miséria encolheu e mais de 91 milhões de brasileiros ascenderam para vivenciar novos patamares de dignidade social... A elite disse que era apoiar o vício da preguiça, ecoando, desta feita sabendo, as ofensas coloniais sobre “nativos” preguiçosos. Era a retro-alimentação do mito da “pereza ibérica”. Uma ajuda de meio salário, temporária, merece por parte da elite um bombardeio constante. A corrupção em larga escala, dez vezes mais cara e improdutiva ao país que o Bolsa Família, e da qual a elite nacional não é estranha, nunca foi alvo de tantos ataques.
A ONU acabou escolhendo o Programa Bolsa Família como símbolo mundial do resgate dos desfavorecidos. O ultra-conservador jornal britânico The Economist o considerou um modelo de ação para todos os países tocados pela pobreza e o Le Monde como ação modelar de inclusão social.
Mais uma vez a elite nacional manteve-se em silêncio!
Em suma, quando a influente revista, sem anúncios do governo brasileiro, Time escolhe Lula como o líder mais influente do mundo, a mídia brasileira “esquece” de noticiar. Nas páginas internas, tão encolhidas como um vira-lata em dia de chuva noticia-se que Lula “... está entre os 25 lideres mais influentes do mundo”. Errado! A lista colocava Lula como “o mais” influente do mundo.
Agora se espera o silêncio da elite brasileira!
domingo, 2 de maio de 2010
Goleada do Conservadorismo
do Direto da Redação
por Mário Augusto Jakobskind
por Mário Augusto Jakobskind
GOLEADA DO CONSERVADORISMO
O conservadorismo ganhou de goleada, 7 a 2, no Supremo Tribunal Federal ao rejeitar ação da Ordem dos Advogados do Brasil no sentido a lei da anistia não contemplar torturadores e assassinos do período da ditadura. Os ministros usaram argumentos que não resistem a menor análise, como, por exemplo, ao afirmarem que a referida lei foi promulgada depois de um acordo político resultado de um amplo debate. Não foi. A lei foi votada no Congresso sob pressão dos militares, que no dia da votação ocuparam as galerias esperando o resultado.
A memória dos Ministros não funcionou. Esqueceram que na época, em 1979, existiam senadores biônicos, que não eram submetidos ao voto popular e faziam tudo que o amo, ou melhor, o general de plantão mandasse. Lá se vão 31 anos, o que em história não é nada. Outro erro de interpretação, a anistia promulgada não abrangeu todos brasileiros. Os presos políticos que participaram da luta armada tiveram as penas reduzidas pelo último presidente de fato, o general João Batista Figueiredo. Não foram anistiados propriamente. Lamentável é o Ministro Eros Grau, um ex-preso político que foi torturado na ditadura, segundo noticiário dos jornais, ter esquecido tudo isso e apresentar o relatório que apresentou.
Como se tudo isso não bastasse, fora o médico legista Amílcar Lobo, que assinava laudos falsos que visavam esconder os verdadeiros motivos da morte de um preso político, ninguém mais foi julgado e punido. Ou seja, mais um item surrealista abrangido pela anistiaL contemplar quem torturou, assassinou e até roubou influi nos dias atuais. Estimula a impunidade para os agentes da lei, que continuam praticando ilegalidades em vários níveis.
Alguém pode estar perguntando, mas que agentes da lei, fardados ou não, roubaram? A viúva do Presidente João Goulart, Maria Tereza Goulart, segundo afirmou, teve suas jóias surrupiadas por militares e posteriormente reconheceu o que era de sua propriedade sendo utilizado por outras pessoas.
É esta gente que os Ministros do STF contemplaram.
Mas nem tudo está perdido. Alguns ministros admitiram que a lei poderá ser reinterpretada pelo Congresso. A OAB poderá levar a questão para fóruns internacionais como a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Países sul-americanos como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai abriram os arquivos e condenaram a prisão até ex-presidentes-ditadores, como Juan Maria Bordabery, que pegou 25 anos por estar implicado no assassinato, em Buenos Aires, de opositores ao regime ditatorial uruguaio como o Senador Zelmar Michellini e o deputado Gutierrez Ruiz.
No contexto sobre comentários relacionados com a decisão do STF, o recorde em matéria de sandice ficou com o senador Demóstenes Torres, do Demo de Goiás. Ao defender o veredicto dos Ministros e compará-lo com países do Cone Sul, o parlamentar, demonstrando qual é a dele, afirmou que nos países onde torturadores dos mais altos escalões estão sendo punidos “a democracia é instável”. O certo, claro, é exatamentente o contrário. Pois é, imagina que isso foi dito por um senador da República. Dá para imaginar o nível dos atuais políticos no Brasil.
A propósito, como a eleição está se aproximando é bom que os brasileiros fiquem atentos aos fatos e pronunciamentos para se ter maior clareza de quem é quem na disputa, não só presidencial, como para os demais cargos. Como os brasileiros de um modo geral não são fortes em matéria de memória, é importante recordar fatos e cobrar dos políticos um mínimo de coerência. Muitos deles mudam de opinião conforme a maré. Querem um exemplo, em 1988, quando das discussões na Assembléia Constituinte, o atual candidato tucano, José Serra, votou e defendeu inúmeros tópicos contra os trabalhadores. Segundo o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Serra votou contra em pelo menos dez matérias de interesse dos trabalhadores, como, por exemplo, o direito de greve, redução da jornada de trabalho para 40 horas, garantias de estabilidade no emprego, abono de férias de 1/3 do salário e assim sucessivamente, para não falar no voto contra o monopólio nacional de distribuição do petróleo.
E agora o ex-governador de São Paulo se apresenta como defensor dos interesses dos brasileiros. Faz rasgados elogios a Lula, isso depois que os seus correligionários, um deles o ex-presidente FHC, passaram a esculhambar o atual ocupante do Palácio do Planalto durante os dois mandatos.
Para ser ter ainda melhor idéia do perfil de Serra, vale assinalar que em uma de suas recentes entrevistas, para o Datena na TV Bandeirantes, o candidato do PSDB, DEMO e PPS falava contra o MST e de repente expôs a idéia de criar um Ministério de Segurança Pública. Doutor Freud explica quando alguém automaticamente apresenta uma proposta que se associa à repressão. Além do mais, demagogia pura, porque a matéria de Segurança Pública está afeta ao Ministério da Justiça. A idéia do Ministério é para ganhar voto de incautos.
Por estas e muitas outras, todo cuidado é pouco para evitar que no futuro tenhamos dias piores. A incoerência e os ziguezagues de Serra ficariam mais claros se os meios de comunicação dedicassem maior atenção ao ontem e hoje. Mas aí, os jornalões e telejornalões teriam que deixar de lado a atual linha editorial que adotaram de linha auxiliar de partidos políticos da direita.
O conservadorismo ganhou de goleada, 7 a 2, no Supremo Tribunal Federal ao rejeitar ação da Ordem dos Advogados do Brasil no sentido a lei da anistia não contemplar torturadores e assassinos do período da ditadura. Os ministros usaram argumentos que não resistem a menor análise, como, por exemplo, ao afirmarem que a referida lei foi promulgada depois de um acordo político resultado de um amplo debate. Não foi. A lei foi votada no Congresso sob pressão dos militares, que no dia da votação ocuparam as galerias esperando o resultado.
A memória dos Ministros não funcionou. Esqueceram que na época, em 1979, existiam senadores biônicos, que não eram submetidos ao voto popular e faziam tudo que o amo, ou melhor, o general de plantão mandasse. Lá se vão 31 anos, o que em história não é nada. Outro erro de interpretação, a anistia promulgada não abrangeu todos brasileiros. Os presos políticos que participaram da luta armada tiveram as penas reduzidas pelo último presidente de fato, o general João Batista Figueiredo. Não foram anistiados propriamente. Lamentável é o Ministro Eros Grau, um ex-preso político que foi torturado na ditadura, segundo noticiário dos jornais, ter esquecido tudo isso e apresentar o relatório que apresentou.
Como se tudo isso não bastasse, fora o médico legista Amílcar Lobo, que assinava laudos falsos que visavam esconder os verdadeiros motivos da morte de um preso político, ninguém mais foi julgado e punido. Ou seja, mais um item surrealista abrangido pela anistiaL contemplar quem torturou, assassinou e até roubou influi nos dias atuais. Estimula a impunidade para os agentes da lei, que continuam praticando ilegalidades em vários níveis.
Alguém pode estar perguntando, mas que agentes da lei, fardados ou não, roubaram? A viúva do Presidente João Goulart, Maria Tereza Goulart, segundo afirmou, teve suas jóias surrupiadas por militares e posteriormente reconheceu o que era de sua propriedade sendo utilizado por outras pessoas.
É esta gente que os Ministros do STF contemplaram.
Mas nem tudo está perdido. Alguns ministros admitiram que a lei poderá ser reinterpretada pelo Congresso. A OAB poderá levar a questão para fóruns internacionais como a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Países sul-americanos como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai abriram os arquivos e condenaram a prisão até ex-presidentes-ditadores, como Juan Maria Bordabery, que pegou 25 anos por estar implicado no assassinato, em Buenos Aires, de opositores ao regime ditatorial uruguaio como o Senador Zelmar Michellini e o deputado Gutierrez Ruiz.
No contexto sobre comentários relacionados com a decisão do STF, o recorde em matéria de sandice ficou com o senador Demóstenes Torres, do Demo de Goiás. Ao defender o veredicto dos Ministros e compará-lo com países do Cone Sul, o parlamentar, demonstrando qual é a dele, afirmou que nos países onde torturadores dos mais altos escalões estão sendo punidos “a democracia é instável”. O certo, claro, é exatamentente o contrário. Pois é, imagina que isso foi dito por um senador da República. Dá para imaginar o nível dos atuais políticos no Brasil.
A propósito, como a eleição está se aproximando é bom que os brasileiros fiquem atentos aos fatos e pronunciamentos para se ter maior clareza de quem é quem na disputa, não só presidencial, como para os demais cargos. Como os brasileiros de um modo geral não são fortes em matéria de memória, é importante recordar fatos e cobrar dos políticos um mínimo de coerência. Muitos deles mudam de opinião conforme a maré. Querem um exemplo, em 1988, quando das discussões na Assembléia Constituinte, o atual candidato tucano, José Serra, votou e defendeu inúmeros tópicos contra os trabalhadores. Segundo o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Serra votou contra em pelo menos dez matérias de interesse dos trabalhadores, como, por exemplo, o direito de greve, redução da jornada de trabalho para 40 horas, garantias de estabilidade no emprego, abono de férias de 1/3 do salário e assim sucessivamente, para não falar no voto contra o monopólio nacional de distribuição do petróleo.
E agora o ex-governador de São Paulo se apresenta como defensor dos interesses dos brasileiros. Faz rasgados elogios a Lula, isso depois que os seus correligionários, um deles o ex-presidente FHC, passaram a esculhambar o atual ocupante do Palácio do Planalto durante os dois mandatos.
Para ser ter ainda melhor idéia do perfil de Serra, vale assinalar que em uma de suas recentes entrevistas, para o Datena na TV Bandeirantes, o candidato do PSDB, DEMO e PPS falava contra o MST e de repente expôs a idéia de criar um Ministério de Segurança Pública. Doutor Freud explica quando alguém automaticamente apresenta uma proposta que se associa à repressão. Além do mais, demagogia pura, porque a matéria de Segurança Pública está afeta ao Ministério da Justiça. A idéia do Ministério é para ganhar voto de incautos.
Por estas e muitas outras, todo cuidado é pouco para evitar que no futuro tenhamos dias piores. A incoerência e os ziguezagues de Serra ficariam mais claros se os meios de comunicação dedicassem maior atenção ao ontem e hoje. Mas aí, os jornalões e telejornalões teriam que deixar de lado a atual linha editorial que adotaram de linha auxiliar de partidos políticos da direita.
sábado, 1 de maio de 2010
Fernando Pessoa sobre Arte
Pessoa sobre Arte
do Digestivo

LIANA TIMM© (http://timm.art.br/)
A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos ― vis porque são nossos e vis porque são vis.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso ― o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.
Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.
Bernardo Soares, ou Vicente Guedes, ou Fernando Pessoa, ele mesmo,no Livro do Desassossego.
do Digestivo

LIANA TIMM© (http://timm.art.br/)
A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos ― vis porque são nossos e vis porque são vis.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso ― o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.
Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.
Bernardo Soares, ou Vicente Guedes, ou Fernando Pessoa, ele mesmo,no Livro do Desassossego.
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