por Mario Augusto Jabobskind do Direto da Redação
A CULPA É DO MORDOMO (FAVELADO)
Foi uma semana triste com as águas de março que chegaram em abril. Como em temporais de outras décadas, muitas mortes que poderiam ser evitadas. As autoridades estaduais e municipais, para variar, tiveram um comportamento lamentável. O governador Sergio Cabral investiu furiosamente contra os moradores de favelas que ocupam áreas de risco, como se eles tivessem escolhido o local de moradia por gosto, ou seja, como se eles fossem os culpados por tudo que aconteceu. O Prefeito seguiu o mesmo caminho e já avisou que vai colocar a polícia para remover quem não quiser sair. E para onde vão? Na prática a resposta de Paes seria ”se virem”.
A mídia eletrônica conservadora aproveitou a tragédia para atacar o governo federal. Faz parte do jogo a mídia conservadora atuar cada vez mais como partido político, sobretudo agora que a campanha eleitoral começa a esquentar.
Tanto governantes quanto os analistas de sempre se esqueceram de lembrar que o Rio ao longo das últimas décadas vem sofrendo um processo violento de descaracterização por culpa, aí sim, da especulação imobiliária, o mesmo setor que desova polpudas verbas nos departamentos comerciais dos grandes jornais e canais de televisão, bem como financiam campanhas de candidatos para os parlamentos federais, estaduais e municipais, para não falar dos postulantes a postos executivos nos três níveis.
Alguém talvez esteja questionando o que tem a ver isso com as fortes chuvas? Vamos lá, então. Há bairros do Rio de Janeiro que há 50 ou 60 anos eram ocupados por casas e que pouco a pouco foram dando lugar a espigões construídos ao bel prazer, não obdecendo posturas mínimas que deveriam ser compatíveis com as novas exigências de infraestrutura. Ou seja, os vários bairros da cidade ganharam cara nova, mas com o mesmo sistema de drenagem e de águas e esgotos. Qualquer chuva um pouco mais forte enche as ruas impedindo a circulação de veículos e até mesmo de pedestres. A cidade para.
Se algum vereador requerer a convocação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as posturas municipais e a ação da especulação imobiliária está arriscado a cair no índex da mídia conservadora. Por isso são poucos os que ousam entrar na briga, até mesmo porque dificilmente conseguirão ter sucesso no Parlamento em levar adiante alguma investigação.
A história se agrava porque a Prefeitura não cuida como deveria dos bueiros e o recolhimento de lixo em alguns pontos da cidade é precário. Mas a culpa continua sendo do povo, segundo os governantes que de quatro em quatro anos correm atrás dos eleitores com promessas das mais variadas. Soma-se a isso alguns períodos de maré cheia e o panorama piora.
Como se isso não bastasse, o Rio de Janeiro, a Região Metropolitana e praticamente todas as grandes cidades brasileiras conheceram ao longo do tempo o fenômeno do ”inchaço” provocado pela não fixação de milhões de brasileiros no campo. Não se fez uma reforma agrária necessária para evitar que a população do campo fosse para as cidades habitar em locais inóspitos e sujeitos aos efeitos trágicos de fortes chuvas, comuns em época de tempo quente, tanto faz agora com o aquecimento global no verão, outono, inverno ou primavera.
Em Angra dos Reis, onde no início do ano os fortes temporais provocaram mortes, o senhor Sergio Cabral também culpou os favelados que ocupavam áreas de risco. Na verdade, boa parte deles naquela cidade fluminense eram trabalhadores da indústria naval que fechou as portas em função da política econômica neoliberal posta em prática pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Os estaleiros ficaram ao Deus dará fechando as portas ou reduzindo drasticamente os postos de trabalho. A favelização de Angra aumentou, porque muitos trabalhadores não tiveram condições de pagar aluguel por estarem desempregados ou viverem de bicos.
Esta é, em síntese, a história que não é contada, que Cabral e Paes preferem ignorar e seguir o raciocínio da elite, a de que o mordomo é sempre o culpado. No caso de Cabral e Paes ainda há agravantes. Ambos defendem, cada um à sua maneira, a criminalização das áreas pobres da cidade com ações violentas contra a população, muitas vezes sob o manto do silêncio ou aplauso da classe média, estimulada pelo noticiário não raramente preconceituoso da mídia conservadora contra os pobres. Paes e Cabral só pensam no choque de ordem, na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.
PS. Não podia deixar passar em branco a presença de dois óleos queimados da história no estúdio da Globo News, generais Leônidas Pires Gonçalves e Newton Cruz, para falar as baboseiras e mentiras de sempre. Gonçalves chegou ao cúmulo de afirmar que quando comandou o DOI-Codi no Rio, de 74 a 77 não ocorreram torturas por lá. Há inúmeros torturados que desmentem o militar. Pior ainda foi o fato de afirmar que o jornalista Vladimir Herzog se suicidou. Se não fosse inimputável pelos seus 89 anos teria de responder na Justiça por essa afirmação. Qual o motivo das Organizações Globo desencavarem as múmias? Aí tem..
O momento em que estamos já estabeleceu que a polarização entre Serra e Dilma será a tônica desta campanha. As projeções que fizemos indicam que Dilma está em curva ascendente consistente e Serra, na melhor das hipóteses, se estabilizará na faixa de 30-35%, percentual próximo ao que obteve no 2º turno de 2002 (38%). Isto é, a sua passagem pela prefeitura de São Paulo e no governo do estado de São Paulo (2006-09) não lhe acrescentou nada de significativo em termos de voto. Dilma, ao contrário, entra nesta disputa com 4% de intenções de voto em fevereiro de 2008 e hoje se projeta apontando para cima em vias de passar o Serra em breve. A análise é de Marcus Figueiredo, do IUPERJ.
Marcus Figueiredo (*)
Sabemos de longa data que o primeiro passo para uma disputa eleitoral competitiva é a construção do cenário político feito pelos partidos. O cenário eleitoral constitui-se de dois elementos fundamentais: as candidaturas e as suas agendas. Candidatos e agendas formam uma entidade, um “ser político”, dual, fundado nas respectivas histórias e ações prospectivas.
No jargão da ciência política, candidatura implica no binômio história e futuro. Popularmente, aos olhos do eleitorado, Collor era “o jovem, destemido, que veio para cuidar da gente”; Maluf é “o malandro, como Pedro Malazarte, que ‘cuida’ da gente”; FHC é o “príncipe que veio cuidar da gente”; Lula, “como a gente, operário, que veio cuidar de gente como a gente”.
Portanto, história e futuro “da gente” formam o cenário eleitoral. E é isto o que estamos vendo na preparação das eleições deste ano. (Vejam nos gráficos abaixo.)
Gráfico 1: Intenção de voto 2010 Sempre Cenário 1 - Ponto a ponto - atualização 9/4/2010
No primeiro acompanhamos a evolução das candidaturas já confirmadas para este ano. Polarizando a disputa, de um lado temos José Serra (PSBD, e seus aliados) e de outro Dilma Rousseff (PT e aliados). Alem desses dois, outros aprecem nas pesquisas, especialmente, Ciro Gomes e Marina Silva. Em breve alguns mais estarão nas pesquisas, os ditos “nanicos”.
Este cenário vem sendo construído desde fevereiro de 2008, ocasião em que apareceu, publicamente, a primeira pesquisa de intenção de voto. De lá para cá várias simulações foram feitas e a polarização entre Serra e Dilma sempre foi destacada, independentemente das respectivas intenções de voto.
Para compreendermos melhor a construção do cenário temos que ter em mente que o processo eleitoral brasileiro tem quatro etapas estabelecidas por leis. A primeira delas, sem data estabelecida para começar vai até fim de março, quando candidatos têm que se desincompatibilizar de cargos executivos, como aconteceu agora com José Serra e Dilma Rousseff. Este é o período em que os pretendentes constroem suas alianças, políticas e sociais, e posicionam-se perante o eleitorado, isto é, publicitam suas histórias e dizem ao eleitorado “a que vieram”.
Este é um momento em que as candidaturas sofrem oscilações maiores. Passado esta etapa, as definições das candidaturas tornam-se mais nítidas e entra em jogo as alianças sociais em tornos dos candidatos. Isto é, os grupos e classes sociais vão se posicionando em torno dos candidatos e os indecisos vão palatinamente diminuindo. Hoje temos 20% de indecisos, mais do que os “Outros” candidatos e Serra e Dilma estão virtualmente empatados, 34% e 31%, respectivamente. Esta segunda etapa vai até junho quando as convenções partidárias formalizam as candidaturas. Neste período vivemos um limbo eleitoral, pois já temos candidatos definidos, mas não se podem fazer campanhas. É por isso que o Presidente Lula tem sido multado pelo TSE ao fazer inaugurações e discursos abrindo espaços para a apresentação da candidata do PT.
As demais etapas começam em julho quando as campanhas ganham as ruas e a propaganda eleitoral começa. Até lá ainda teremos oscilações nas intenções de voto, porém menores.
Gráfico 2: Intenção de Voto e projeção 2010 sempre cenário 1 ponto a ponto - atualizacao 9/4/2010
O momento em que estamos já estabeleceu que a polarização entre Serra e Dilma será a tônica desta campanha. As projeções que fizemos indicam que Dilma está em curva ascendente consistente e Serra, na melhor das hipóteses, se estabilizará na faixa de 30-35%, percentual próximo ao que obteve no 2º turno de 2002 (38%). (Ver gráfico das curvas de tendências) Isto é, a sua passagem pela prefeitura de São Paulo e no governo do estado de São Paulo (2006-09) não lhe acrescentou nada de significativo em termos de voto.
Dilma, ao contrário, entra nesta disputa com 4% de intenções de voto em fevereiro de 2008 e hoje se projeta apontando para cima em vias de passar o Serra em breve.
O cenário construído tem e terá até a eleição o confronto de duas historiais e duas agendas: Serra, com sua história e suas alianças já definidas, herda os 8 anos dos governos FHC e Dilma, com sua história e suas alianças já definidas, herda os 8 anos dos governos Lula.
O eleitorado, mais uma vez, irá perguntar: “quem são esses caras, de onde vieram, o que oferecem pra cuidar da gente?”.
O apelo de uma candidatura que veio para ‘unir o Brasil’, embutido no discurso de José Serra, neste sábado, e embalado como ‘novidade nas manchetes dos jornalões, não poderia ser mais artificial. Primeiro, porque pretende tirar de Lula justamente o seu apanágio, um governo de livre transito entre vários setores da sociedade. Algo que até os adversários reconhecem e os empresários –para desgosto da esquerda— festejam. Segundo, porque esse traço de governo não está ancorado apenas na personalidade conciliatória do Presidente, mas decorre de avanços sociais e econômicos reais que, de fato, permitiram uma maior repartição da riqueza criando um sentido de pertencimento raro numa sociedade excludente. De onde os estrategistas do candidato demotucano pensam que vêm os 80% de popularidade de um governante atacado e hostilizado sem trégua pela mídia que os apóia? Terceiro, porque não poderia haver algo mais imiscível do que a idéia de ‘união’ e o prontuário arestoso de José Serra --um tucano rejeitado até por seus pares, famoso pela intolerância e a perseguição implacável a adversários e jornalistas; alguém cujo ferramental político sempre foi a ação soturna regada a dossiês e denúncias plantadas na mídia. Como, enfim, aquele que rachou o próprio partido para impor seu projeto personalista de poder, poderá convencer o Brasil que veio unir o país derrotando Lula? (Carta Maior; 10-04) Leia mais
Quero dizer: “2010, o ano de Dourado”. Um de nossos legítimos brasileiros, o carioquíssimo Luis Melodia tornou-se ultrapassado, ‘démodé’ para os antigos, com seu postulado cântico “juventude transviada”. Agora quem encontra-se transviada é a adolescência, a qual fingimos entender, para não assumirmos o urgente e bastante nosso “dever de cuidado”. Mais uma teorização que não adentra os campos da prática.
Inobstante o afrontamento às originalidades, eis que aparece uma cópia mal feita, remasterizada em laboratório clandestino a versão tropical de James Dean, neste remake aquariano da ‘transviadagem’. Pedro B (o primeiro dos Bs do BBB; os outros dois ficam ao critério da sua imaginação) faz-se a reencarnação de Nicholas Ray, bolando alguém para “ser imitado por jovens do mundo todo”. No círculo da vida, quem ressuscitou mesmo foi Frankenstein e, para opinião e delírio das domésticas, da turminha transviada, dos vendedores de anabolizantes e dos patrocinadores do “programa”, está desta vez ‘mais bonito’, revoltando Mary Shelley na tranquilidade de sua cova.
O poeta/menestrel judeu norte-americano registrado em cartório ‘Robert Allen Zimmerman’, um dos maiores compositores do anasalado planeta Terra, também profetizara um dia que “os tempos, eles estão mudando”. Aliar isto à máxima chaplista “o homem é um animal com instintos primários de sobrevivência. Por isso, seu engenho desenvolveu-se primeiro e a alma depois, e o progresso da ciência está bem mais adiantado que seu comportamento ético”, é como untar a fôrma para melhor receber a massa, podre ou não.
Ou seja, é necessário existir algo mais, antes da própria vida, feito assim como um princípio para, quando preciso for, podermos lidar de forma mais adequada com as superveniências, sem que elas transformem o mundo num mar de passividade, ou num deserto de iniciativas. Para que a maioria não possa concluir no final que esteve aqui a passeio mesmo. Um verdadeiro arcabouço, a base que sustente a nossa leveza de ser.
Se aquela prática não está, sem fuga retornemos ao tema. Mas...quem é Dourado? Como dizia meu xará Eduardo Mascarenhas, ‘comecemos pelo início’: quem nasceu primeiro, Marcelo ou Brucutu? Não estivemos lá, mas cremos que provavelmente tenha sido Marcelo. Antigamente um bebê, outrora uma criança, cuja infância fora vivida em Porto Alegre/RS, cidade das mais violentas da América Latina. Uma das primeiras metrópoles brasileiras a rasgar parte de seu tecido social e costurar sem agulha as tais “gangues de rua”, lá por meados dos anos 80.
A Rua da Praia, palco de contrastes extremos, oferecendo em mesmo plano as presenças de uma transeunte sedutora modelo branquela e de um estático raquítico engraxate negróide. Da pluralidade oriunda da miscigenação das raças, surge imponente às margens do Guaíba ele, Dourado. Geneticamente modificado – feito vírus H1N1 - animal composto por terças-partes de gorila, réptil e com nome de peixe; nem branco nem negro, mas Dourado. Ontem jovem e hoje finalmente um brucutu. Mas ele nascera ou fora criado? Um ser verídico ou não mais que outro personagem parido do ventre meretrício da Vênus Platinada? É a dúvida que não cala.
Não cala porque nem questiona o ‘eleitorado’ televisivo, os únicos mudos, mentalmente. Acostumados à vida pronta, é só pagar, espiar e clicar, na mais falaciosa interatividade já comercializada na história da terra do Pau Brasil (seria melhor estória). Consumir com a conotação de alimento industrializado: eles preparam; você saboreie (se for possível), mastigue e degluta logo, que vem mais paredão (prateleiras) por aí, pura modernidade em nome dos atualíssimos padrões de conduta, isto é, pelo bem da moda, “muito massa”, “tipo lêga”, “tá ligado”?
Voltemos ao elemento-chave das portas da ignorância. Do qual me abstenho em comentar sobre sua pessoa física (CPF). Falarei do Zé Ninguém promovido a alguém: é muito mais fácil encher containers vazios, pode se colocar o que quiser lá dentro. Ele, uma das criaturas forçosamente elencadas entre milhões, sabe-se lá como - embora tenhamos idéia dos critérios globais - e elevadas à categoria de herói. Sim, cintilante herói, o qual segundo Pedro B. (um sofrível filósofo, metido a “apóstolo” das sandálias, caído em tentação pela Big Bunda de Chocolate), refletia o brilho da maior estrela do programa: o seu público. Identificado pela mídia ‘especializada’, a qual aponta que a maioria dos seus fãs é composta por adolescentes! Belo “indicador social”, não?
Heróis são símbolos, que ontem se elegiam pela força, pela inteligência, pelo bom caráter. Hoje, isto se dá por outras (des)qualificações: inespiritualidade, estupidez e mau caráter, todos cobertos por tatuagens, cuja interpretação simbólica deixa dúvidas somente aos cegos do castelo, os quais não crêem que dali emana preconceito, miséria humana e, claro, a falsa idéia de ‘masculinidade’. Ísis está sem véu, Helena já avisou, mas há aqueles que insistem na obscuridade das evidências.
É o estilo. Uma variante dos factóides humanos programados digitalmente não a provocar reação naquele público, mas sim ditar-lhe comportamento. Sobretudo visual, mas também pelas maltratadas palavras que demonstram explicitamente o quase nada que há por dentro: o pouco que tem, ainda é torpe. Vide episódio sobre transmissões de doenças sexualmente transmissíveis: aberração que move o Ministério Público ao seu ofício, apenas para fazer justiça, coisa ainda distante da violação das esferas de direitos de outrem, seja dos homossexuais em sua busca por reconhecimento e dignidade, seja do telespectador em sua busca por entretenimento e qualidade.
Sobretudo, violação dos direitos dos próprios adolescentes, cuja importante fase na vida está sendo brutalmente aviltada, no mecanismo de antecipação fenotípica propagado pela mídia em geral, tal qual ocorre com a infância e com a juventude: constroem a vontade artificial de ‘ser o que não se é’, num litigioso paradoxo entre tempo e espaço, desrespeitando a ordem natural das coisas. Neste caso, meninas de nove anos conectam-se como adolescentes, as de doze maquilam-se como jovens, as de quinze despem-se como adultas. Paralelamente, os meninos de dez conectam-se como adolescentes, os de treze brigam como jovens e os de dezesseis copulam como adultos.
Ou seja, todos estes se achando muito à frente do seu presente. La Mídia e seu único objetivo: agregar mais consumidores, seja quem for. Tal qual as financeiras que se multiplicam feito larvas nos centros das grandes cidades, agora atrás dos aposentados. Arriaram a bandeira de Dicesar, que findou a meio pau, para o desgosto dele, da sua irmandade e de todo aquele que acredite em princípios. Demagogos, anunciaram a inclusão social do andrógino Serginho, ser que andava à deriva da sociedade, agora ganha espaço, para fazer nada onde nunca se edificou algo.
Ninguém percebe, mas a mídia autopublica-se incessantemente na contracapa da pedofilia, estimulando os rebentos nacionais à malhação, relevando a promiscuidade, glorificando o adultério. Melhor do que incentivar à cultura, é excitar a circulação de hormônios ainda embrionados, dragando-os das profundezas da inocência, e destilá-los ao redor do horário nobre. Aquela primeira, muito levaria ao senso crítico, à conscientização, à reivindicação, à busca pelos direitos, formação de seres politizados a partir de sua nascente. Mais fácil é a segunda, que nada busca porque a nada leva, a não ser à bricolagem de criaturas vazias, sem ideário, sonhos dignos ou esperança de uma vida de bem-estar nem virtudes, que posteriormente desaguará insípida no mar de cada dia.
Estes, são o público que vive em função da “interatividade”. A banalização do voto, em sua mais vulgar acepção de democracia. Clicar na internet não custa, mas indiretamente sim. Via Teles – “recém” privatizadas a mando do Consenso de Washington - “justifica-se” o preço da ligação à medida que se reconhece ser fã de algum boneco, codinome preparado, elevado de “um qualquer” a “o favorito”, aquele para o qual se “torce”. Afinal, há de se participar porque o Brasil todo está vendo. Ser brasileiro é votar no BBB, isto sim é feeling de nação. Quem não “joga” não mama nas tetas da pátria-mãe. Acrescentar-se à lista de milhões de votantes, iludindo um sentimento de pertencimento, para ser considerado alguém na sua vida - que já não é mais tanto sua, porque você já criou uma certa dependência do sistema, portanto abrace-o senão ele o atropela e não voltará para saber sobre o formato mínimo nem a cor da sua lápide.
Ele deveria ganhar: é o establishment do trunfo do mal sobre o bem, para estimular o processo baconiano da vida daqueles adolescentes e outros simpatizantes da vergonha em busca da realização. Para mim, ele meritalmente “ganhou” porque é o melhor exemplo de sujeito que a televisão deste nível é capaz de formar, totalmente compatível com a mentalidade e a falta de espírito e a ausência absoluta de cidadania, objetivo-mor da práxis televisiva, criando seres três em um, os três macacos num só: espectador cego, surdo e mudo. A notícia empírica vista como fonte de conhecimento científico. Estampar pedófilos, entrevistar sobreviventes de tragédias, mostrar assassinatos filmados pelo panótico da degradação moral da (des)informação jornalística: é o mote para a involução, revelando a ditadura da imposição do medo sobre cidadãos acuados, onde caracteriza-se a supremacia do Poder Privado sobre o Poder Público. Terremotos, Nardonis, pedófilos, deslizamentos, vítimas: tudo contra o “só eu sei por que eu não fico em casa”.
Voltei: comovente e justificante a estorinha do ‘passado triste daquele esfomeado que jantava pés-de-moleque, habitando ultimamente um quartinho fedorento numa favela carioca, depois de ter sofregamente ter sido carregador de frutas na Austrália’. Quase chorei. Pós BBB 4, era injustamente vaiado em suas lutas, pelo povo adepto do ultimate fighting, povo este sabedor que era da ausência de consciência (princípio dos verdadeiros lutadores), no dragão-de-Komodo nacional. Ai que dó. Inda mais porque ‘ele mudara e agora resolve pedir desculpas’ depois de suas regurgitações em público, pauta de tantas e tantas matérias mídia afora, esgoto adentro. Coloquem Vanderlei Silva na frente do lagartixão que este levará uma surra, sem mesmo o primeiro lhe encostar um só dedo: surra verbal, moral, existencial. Personagens, mas surreais, porque a realidade do Brasil passa longe, mas muito longe da ”casa mais vigiada”: desvio de foco, ensinando as pessoas a não serem reivindicadoras de direitos básicos ou fundamentais em suas próprias vidas, atreladas que estão ao alheio da hora, claro que falo da hora Global: a Rede mola-mestra do tempo.
Nova fonte de inspiração para defesa de teses sobre a psicologia de massas, o BBB aparece no cenário acadêmico como objeto de estudo, de grande valia para os sem imaginação e de mais valia para os anunciantes. É o dedo do capitalismo penetrando sorrateiramente em quem caminha sem reflexão. Uma mulher com sobrenome de jóia reúne há anos um grupo de amigos nos dias de eliminação, fazendo do programa um esporte, onde se torce inadvertidamente pela pessoa mais “sarada” fisicamente - considerando apenas a casca do “corpore”, ignorando o “mens sana”. A vitória consiste em manter quem não foi votado. Então vote, elimine, expulse, mate alguém, seja campeão junto com seu ídolo, o qual ficará, até que ganhe o milhão dele. Enquanto isto você evita reconhecer que ainda senta nas espigas da vida. Finge que seu dia a dia não dói, porque à noitinha tem prova do líder. Otários, não reconhecem que o verdadeiro paredão está no lado de cá da telinha, sem anjo qualquer a lhe proteger das usuras do quarto poder.
E eu me pergunto se o sinal digital é para isto. Se ‘a esperança não vem do mar, vem das antenas de tv’, onde está a arte de viver, se a própria criatura revelou não ter fé em nada? Aí eu me respondo que eu ainda guardo um fio de esperança que não vem da telinha, imaginando que um dia, não ‘sine die’, o Presidente da República da hora tenha respeito para com quem o elegeu e, sem medo dos lobbys de sua base governista, tenha coragem e tome a providência. Porque os venezuelanos não sabem o que é veiculado por aqui: portanto, eles não podem opinar sobre o cancelamento das renovações dos contratos de nossas concessões públicas radio-televisivas, alegando censura à liberdade de imprensa, e vice-versa, isto é, cada um no seu quadrado. Aos desinformados, vide artigos 221 a 224 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil, ainda com “S”.
TV digital para passar o Jornal Nacional. O discurso da inclusão digital. Dedos que detonam a espingarda de chumbinho, espalhando merda para todos os lados de quem assiste a atração, ou seja, quem se atrai pela assistência, eu diria: passividade. Tiros que vão na contra-mão da evolução das coisas, fazendo os adolescentes e afins ficarem na casinha babando em frente ao “Grande Irmão”, enquanto seus pais temem frente à televisão. Todos reféns da notícia, cujo pavor estimulado quase leva à diarréia. E a ânsia de vômito surge quando se verifica os sub-programas, derivados da matriz, até em outros canais: é a disseminação da praga, a Peste mental que invade os corpos suprimindo os corações, tentando trazer emoção ao cérebro, já funcionalmente delegado aos padrões “Marinhos” de ser. Autonomia de vontade zero, dependência psíquica dez.
Em torno do herói, mais vergonha. Execração da condição humana, não se pode dizer se alguém lá dentro é personagem de novela televisiva ou figurante de seriado mexicano. E daquela mini-fortaleza partem os heróis sem caráter. O terceiro, Carlos o Xará, aparece como animação clonada de caixa-eletrônico de banco 24 horas: parece que fala, mas não há palavras. Parece que há beleza, mas há vácuo. Fruto de uma paixão extra-conjugal, releva a importância da consideração às segundas-famílias dos amantes apaixonados, incapazes de resistirem ao adultério consentido, plenamente justificáveis pela necessidade de liberdade conferida ao falo, que deve e merece fisiologicamente cuspir. Cônjuges conservadores, passivos, por que não omissos.
A segunda, seria a tetéia do Brasil, não fosse o nariz estilo inhame. “Dentista”, outra que perdeu o companheiro que do lado de fora acreditou na farsa, porque no Brasil as novelas são fontes de verdade. Liberava-se pelo álcool, cuja ação estimulante inicial rompe os centros frenadores do organismo ao nível do sistema nervoso central, nunca sem vir acompanhada na seqüência pela fase depressora, pelo simples fato de se reaproximar novamente à realidade do mundo cruel, culminando na tresloucagem periférica. Deseja agora realizar não o seu, mas o desejo de alguns dos experts (melhor: espertos) Cirurgiões Plásticos: a implantação de silicone nos seios. Ignora que este modismo já está em decadência lá onde nasceu, em função de obediência aos critérios funcionais e verdadeiramente estéticos, hoje não mais em termos de quantidade. Melhor seria dar um trato nasal, mas cada qual com a sua fuga. Bela, mas igualmente com vácuo. Bonitinha, nem ordinária nem fulaninha. Ares de Beverly Hills em São José dos Campos: aculturação exacerbada em nome do discurso da auto-estima pela opulência peitoral.
Entendam que a construção se dá supletivamente: cria-se um personagem, baseado na vida real de cada um, com nomes adaptados, e lançados são ao cenário cujo script é “ser você mesmo”. Nas novelas projaquianas é o mesmo processo: inventam personagens para determinado “ator”, de acordo com suas características pessoais. A estória, o enredo, vem depois. Aliás, vem e passa, nunca fica, porque nada vale. Transforma-se, da mesma forma que o lixo em gás metano, cujo aterro encontra-se da sala de jantar dos lares carentes de cidadania.
O problema é que nossa adolescência está respirando esta inflamabilíssima variante de gás, desconhecendo a tabela periódica da vida, sem classificar portanto aquilo que presta e principalmente aquilo que não. Órfãos do discernimento, chegarão à juventude se achando adultos, incapazes de decidir sobre a própria vida, posto que tiveram manipulada sua consciência, sempre trabalhada em função do consumo de coisas prontas que vieram justamente com o rótulo de descartáveis.
Do dia do “fico”, partiu-se para os minutos do “ficar”. Burlam o tempo, sem se incomodar com espaços. E não estou falando da choldra nem da patuléia, mas sim daqueles que, pensamos nós, terem instrução. O mandamento de direcionar a atenção dos pais a voltarem-se somente para a estatura e o peso dos infantes, sob a bandeira da atenção ao amadurecimento precoce, à antecipação da menarca e à primeira ejaculação. Crianças de 10 anos em corpo de mulher ou homem, com mente infantil: “seu engenho desenvolveu-se primeiro e a alma depois”.
PPCAAM, PPSC e ETC são programas tipicamente demagogos, populistas e paliativos: agem topicamente nas folhas das conseqüências, sem findar o mal pela raiz das causas. Marca registrada da solucionática tupiniquim, proveniente dos desmandos das classes políticas multipartidárias, pós-Figueiredo. Depois dos Constituintes, pouco se salva. Porque ninguém quer transformar.
Um pé de milho leva cinco meses para sua colheita. Dourado tem hoje o seu milhão e meio, conquistado em menos de 3 meses. A debulha, acontece na consciência dos seus espectadores. Estes, adolescentes que desconhecem a própria réia cerebral, principalmente porque os meios de comunicação não cumprem sua função, ou seja, não atendem aos “princípios...da preferência e finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas...do respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.
A espiadinha certa é nos integrantes do Congresso Nacional, eleitos para serem os representantes do povo brasileiro. Eles, os quais certamente têm parentes adolescentes. Mas parece que a realidade não os atinge. Omissos, conservadores, reacionários, desejam apenasmente manter seu status quo, botando direta ou indiretamente no anulus do povo.
Mas Pedro B. não tem culpa. Seu passado como correspondente internacional de guerra não implica em que ele precise ainda hoje ir à luta. Agora é relaxar. E gozar da cara dos fãs. Dourado menos ainda, não tem dolo algum. Até deu pena do moço. Virei crocodilo e soltei uma lágrima, mas foi de pena do “Brazil”, que não conhece o Brasil.
Estes, são apenas superveniências de um país sem história. Uma história que os adolescentes relutam em conhecer, pois não se propõe a construir, portanto estamos todos fadados a revivê-la, no mínimo até o BBB 11.
Num bar soturno, de sandálias e meias brancas, B. profetiza:
-”Estaremos de volta!”
Em minha casa, eu desligo o computador, fecho a Constituição e vou deitar. Penso de que cor será o ano que vem. Antes de dormir, refletir um pouco mais sobre as adolescentes que estão sob minha responsabilidade: é a verdadeira batalha entre o meu diálogo e o discurso deles. Eu, mais um dos que “não estão ligados”...
- A chuva que hoje cai sobre Curitiba, não vem do céu, e sim do coração dos curitibanos e paranaenses. Um gaúcho por todos nós adotado, legítimo bicho do Paraná, deu uma rasteira na sobrevida e “foi cantar n’outro lugar”. Minha singela homenagem a um cidadão: Ivo Rodrigues. Este sim um verdadeiro ídolo, que deixa mais do que músicas: verdadeiras obras. Foi blindar numa de suas tantas nortes, pois ele faz parte do vento. A todos nós, meus sentimentos.
Para mim, sua pérola mais brilhante, a qual me reluz desde a minha adolescência – a qual não foi perfeita, mas foi minha:
Se eu Tivesse
Blindagem
Composição: Ivo Rodrigues
‘Quando a noite chega
E as estrelas lembram o teu olhar
São as luzes dos meus sonhos
Que voltam a esvoaçar / bis
Se eu tivesse o teu olhar
Poderia ver a luz
E nada mais faria
Só pra ti vivia
Mesmo que o mundo pare
De girar
Quando a noite chega
E as estrelas lembram o teu olhar
São as luzes dos meus sonhos
Que voltam a esvoaçar / bis
Se eu tivesse o teu olhar
Poderia ver a luz
E nada mais faria
Só pra ti vivia
Mesmo que o mundo pare
De girar’]
Marcelo Elias/Arquivo Agência de Notícias Gazeta do Povo
Ivo Rodrigues morre aos 61 anos
As vozes que anunciam as estações do Ligeirinho e do Biarticulado estão mais tristes. A voz que grita “Borboleta 13” na Rua XV está mais triste. Até as irritantes vozes amplificadas de farmácias e lojas populares parecem mais tristes. A voz do elevador anuncia os andares quase chorando. Curitiba perdeu “A” voz. A principal voz do rock curitibano não canta mais. Ivo Rodrigues, a voz que fez o rock nascer em Curitiba, morreu.
Foram 40 anos fazendo o povo cantar e sorrir com suas histórias alegres e malucas. Foi ele que abriu a chave para a entrada do rock na cidade e depois cercou-o com uma blindagem para que ninguém o roubasse. E o rock curitibano cresceu forte e teve inúmeros filhos.
Em alguma noite perdida na virada dos anos 70 para os 80, um adolescente imberbe presenciou em noites frias curitibanas ao mesmo tempo o fim da banda A Chave e o nascimento da Blindagem. Com alguns outros nomes de bandas pelo meio do caminho – até um incrível “Movimento Parado” – e um elo de ligação: Ivo Rodrigues. No início dos novos tempos, na transiçção de um para o outro uma atração musical era anunciada em cartazes como Ivo e Blindagem, o que já mostra o prestígio do cantor.
A Chave e a Blindagem são como lado A e lado B do mesmo LP (Long Play, um disco de vinil, para os mais novinhos). A Chave foi o início do rock curitibano, banda que fez sucesso aqui e no Rio de Janeiro (então a capital cultural do Brasil, nos anos 70), mas só gravou um compacto. Divergências naturais entre jovens criativos ligados ao sexo, drogas e rock’n’roll fizeram a banda dar um tempo. Não sem antes ficar marcada definitivamente na história musical paranaense.
Depois, veio a Blindagem, banda que está em atuação até hoje e qualquer pessoa com um mínimo de informação musical curitibana sabe de sua história. Ivo e Paulo Teixeira (guitarra) são os remanescentes da Chave no Blindagem. A banda nasceu poderosa fazendo shows em ginásios e festivais, dividindo o palco com grandes nomes da época, como Casa das Máquinas, Bixo da Seda, Tutti Frutti, entre outros.
Ivo levou para a Blindagem não apenas sua voz estrondosa, elástica e um tanto rouca. Também levou as composições em parceria com Paulo Leminski que foi, por um tempo, uma espécie de reserva de luxo, tanto da Chave quanto da Blindagem. Tempos criativos, em que a música não se isolava como arte, juntava-se a outras formas de expressão, como a poesia, as artes plásticas e o teatro. Dessa união nasceram dezenas de apresentações do Rock Horror Show, concepção do diretor Antonio Carlos Kraide, no Teatro Guaíra, um espetáculo roqueiro e anárquico que misturava música e teatro.
Na sequência, a banda fez apresentações em vários estados do país, lançou discos por grandes gravadoras e a história continuou. A banda, talvez pela primeira vez no Brasil, uniu bem o rock e o sertanejo, em parcerias de Ivo e Leminski que são cantadas até hoje. Foi a banda paranaense mais ativa no cenário nacional nos anos 80, anos que marcaram o fortalecimento do rock nacional.
Tudo isso seria possível sem o carisma e a voz de Ivo Rodrigues?
Não vou falar aqui de toda a carreira do Blindagem que até deve continuar, mesmo sem Ivo. Os trágicos últimos anos de sofrimento vieram preparando a banda para esta nova transição e a ela desejo boa sorte na caminhada.
Nos últimos anos, os excessos vinham cobrando sua conta do fígado de Ivo. Há dois, ele passou por um bem sucedido transplante de fígado. No início deste ano, foi descoberto um câncer que atacou o rim do cantor. Foram dois meses de sofrimento para ele e a família. Deixa continuidade na música, pois o filho Ivan é um excelente baterista.
Mesmo passando por momentos difíceis e doloridos, Ivo nunca deixou de cantar. Ignorava recomendações médicas e aparecia de surpresa em shows em bares até quando aguentou. Já nesta última fase de sofrimento mais agudo, arrumava forças para cantar até no hospital, como relatou o filho Ivan, em um post no Twitter nesta semana.
Na noite desta quinta-feira, Curitiba perdeu “A” voz. Mas as canções de Ivo Rodrigues permanecerão para sempre.
O momento é triste, mas Ivo sempre foi uma pessoa alegre. Por isso deixo espaço para que amigos e admiradores contem aqui algumas das histórias incríveis de Ivo. Eu começo e vocês continuam.
Nos anos 80, no antigo Bar Bife Sujo, um guitarrista local que costumava “morder” os amigos, pedindo sempre um dinheirinho aqui e ali, se queixava para o Ivo que a vida estava difícil e que ele não tinha dinheiro nem para comer, que estava com fome. Ivo ouviu a história toda e, conhecedor da fama do amigo, disse que iria resolver a situação. Pediu para o guitarrista voltar ao bar no dia seguinte, que ele iria ajudar. No dia seguinte, no mesmo bar, o guitarrista esperava e Ivo apareceu. Então para resolver o problema da “fome” o cantor entregou ao amigo a solução: um moderador de apetite, que ele comprou na farmácia em frente.
O presente texto é um trabalho da Liderança da Oposição (bancadas do PT e PMDB) na Câmara Municipal de Curitiba e tem como objetivo divulgar para o conjunto da população paranaense os principais problemas da gestão do (ex) prefeito Beto Richa (PSDB) na capital do estado (2003-2010), pendentes de solução e herdados por seu sucessor.
1º - PREFEITO RENUNCIA MANDATO QUE PROMETEU CUMPRIR INTEGRALMENTE
A promessa de cumprir os quatro anos de gestão, resumida no slogan BETO FICA, não foi realizada pelo tucano. O programa de governo apresentado em 2008 é ignorado agora, em prol de seu projeto pessoal e do seu grupo político.
2º – MÁ GESTÃO DO TRANSPORTE COLETIVO
Desde o seu início, o sistema de transporte coletivo da cidade é comandado por um grupo muito pequeno de empresas. Determinada pelo Poder Judiciário em 2008, a licitação vem se arrastando e ainda não tem prazo para ser concluída. Enquanto isso, deficiências na gestão do sistema integrado, sob responsabilidade da URBS, oportuniza às empresas operadoras, o recebimento de indenizações milionárias por atrasos no pagamento (decisão judicial condenou URBS ao pagamento de R$ 40 milhões!) e prejuízos com vales falsos (problema detectado quando Beto Richa era vice-prefeito).
3º – O LIXO À BEIRA DO CAOS
Sistematicamente prorrogado, o único aterro sanitário da cidade, que serve também à região metropolitana, está à beira de implodir. A prefeitura sem conseguir licitar a Nova Planta de Processamento de Resíduos (como é chamada pelo Consórcio do Lixo) e sem área licenciada para tal, utiliza o único aterro existente com liminar expedida pela Justiça até novembro deste ano. Ocorre que o processo licitatório foi questionado pelo Tribunal de Contas (TCE) e depois de longo tempo foi anulado pela própria prefeitura. As incertezas sobre a condução do processo deixa a sociedade insegura e mais forte o risco de calamidade na área. Outro ponto questionável são os contratos milionários com a empresa que opera a coleta do lixo (CAVO pertencente a Construtora Camargo Correa), renovados sucessivamente o que não é aconselhável do ponto de vista dos princípios morais de contratação do serviço público.
4º – POVO APENAS OUVE NAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS
Beto Richa sempre repetiu que realizou um número expressivo de audiências públicas e que, por isso, a sua gestão é participativa. Destacamos que a palavra não é livre durante as chamadas audiências, o número de pessoas que fazem uso da palavra é limitado e escolhidas cuidadosamente por funcionários comissionados da prefeitura. No geral, durante as reuniões, o tucano apenas “anuncia novas obras” e, com raras exceções, alguém usa livremente a palavra para críticas ou mesmo sugestões.
5º – HABITAÇÃO: SOMENTE DEPOIS DO PAC SAIU DO PAPEL
Não fossem os inúmeros programas do Governo Federal (PAC, Minha Casa Minha Vida, FNHIS, PAR, Pró-Moradia e outros) a prefeitura não teria uma política habitacional tão abrangente. Foi assim também durante o primeiro mandato do prefeito tucano. Os recursos aportados no Fundo Municipal de Habitação demonstram cabalmente a falta de iniciativa própria e a fila da Cohab tem cerca de 50 mil inscritos.
6º - LINHA VERDE – PRINCIPAL OBRA APRESENTA PROBLEMAS
Feita para melhorar a mobilidade e casada com o processo eleitoral de 2008, os congestionamentos são diários na linha verde. Apesar de vários questionamentos técnicos, nenhuma passarela, trincheira ou viaduto foram construídos nos primeiros quilômetros já finalizados sob a alegação de que os recursos financiados pelo BID não seriam suficientes. Resultado: congestionamento e risco para pedestres.
7º – FALTAM VAGAS NAS CRECHES MUNICIPAIS
A educação infantil só teve mais atenção depois da intervenção firme do Ministério Público do Paraná (MP) e constantes denúncias dos Conselhos Tutelares. A luta por mais creches mobiliza as famílias desde o tempo em que Beto Richa era vice-prefeito. A mobilização teve seu ápice quando, depois de intensos protestos, os movimentos populares conseguiram impedir a “terceirização” das creches pretendida pelo então prefeito Taniguchi (DEM). O problema em Curitiba foi destacado em matéria do programa 'CQC', da rede Bandeirantes. O MP/PR já apontou défcit de cerca de 40 mil vagas em creches.
8º – METRÔ: PROMESSA NÃO É CUMPRIDA.
Richa renunciou o mandato sem cumprir promessa feita em campanha eleitoral de construir a primeira linha do metrô. Em 2009, a Secretaria de Comunicação da prefeitura criou factóide: “Licitação concluída: projeto do Metrô começa em março (2010)” (site prefeitura de 05/02/2009), informação reproduzida em vários veículos de comunicação. Até o momento nem o projeto básico foi finalizado.
9º – RADARES: CONTRATOS PRORROGADOS IRREGULARMENTE
A empresa encarregada de operar os radares em Curitiba foi beneficiada com a nona e ilegal prorrogação do contrato celebrado com a prefeitura. Em dezembro de 2009 a Justiça determinou a realização de nova licitação e o bloqueio dos radares. Feita a licitação a mesma empresa foi vencedora. A prefeitura arrecadou no último ano cerca de R$ 50 milhões em multas.
10º – FUNERÁRIAS: LICITAÇÃO ENRROLADA
Desde o início, o serviço funerário não é licitado na cidade de Curitiba. Hoje é mais um caso de licitação travada. A licitação teve início, mas não há previsão para sua conclusão.
11º – CURITIBA PERDEU O PROJOVEM EM 2009
7 mil jovens de baixa renda, deixaram de ser atendidos pelo PROJOVEM do Governo Federal em 2009 na capital. O recurso de R$ 9.014.591,25 que já estava depositado na conta da Prefeitura teve que ser devolvido aos cofres federais porque a prefeitura perdeu o prazo na execução do programa.
12º - SECRETARIA ANTI-DROGAS – MUITO MARKETING E POUCO RESULTADO.
Em 2006 o Beto Richa criou a Secretaria Antidrogas prometendo combater, no nível municipal, o uso de entorpecentes, prevenção e o tratamento dos dependentes. Quatro anos depois, os resultados da secretaria são insuficientes e os dependentes continuam esperando tratamento adequado. Segundo estatísticas, em Curitiba cerca de 70% dos crimes têm relação direta com drogas.
13º – BAIXOS SALÁRIOS DA GUARDA MUNICIPAL
Dentre as capitais, a prefeitura de Curitiba continua pagando um dos mais baixos salários aos Guardas Municipais. Depois de greve que mobilizou 80% do contingente, o vencimento básico foi definido em R$ 850 à partir de abril deste ano. Para se ter uma idéia, na vizinha cidade de São José dos Pinhais, região metropolitana, o vencimento inicial é de R$ 1300.
14º - LICITAÇÕES “TRAVADAS”
Estranhamente, Curitiba é uma das capitais campeãs em licitações travadas. Importantes e milionários processos licitatórios hoje estão paralisados ou a passos lentos, como do lixo, funerárias e do transporte coletivo, todos com problemas na Justiça.
15º – ILUMINAÇÃO PÚBLICA: ARRECADAÇÃO AUMENTOU 316%
Apesar de sido alertado sobre aumento significativo do tributo, Beto Richa aprovou como uso do rolo compressor na Câmara, a Lei que aumentou a arrecadação da COSIP. Em 2009, a prefeitura arrecadou R$ 51,7 milhões, contra R$ 12,4 milhões recolhidos em 2003. Tudo indica que os gastos com a ampliação da rede e com a manutenção dos serviços de iluminação pública são muito inferiores à receita resultante da cobrança, onerando o contribuinte.
16ª – FAVORECIMENTO A CONSTRUTORA PIEMONTE
A prefeitura beneficiou a Construtora PIEMONTE, permitindo corte ilegal de mata, aterramento de rio e nascentes e outras irregularidades, em abertura de loteamento no bairro Campo de Santana, conforme denúncia de Rodrigo Oriente, ex-funcionário da construtora e da prefeitura, publicada na Gazeta do Povo, em maio/2009.
17º - POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS DOS SERVIDORES PÚBLICOS
Não há uma política de valorização consistente para os servidores, os programas de remuneração variável e tratamento diferenciado das categorias desvalorizam os servidores e não garantem a sua permanência no município, levando a uma alta rotatividade de profissionais, principalmente nas áreas de saúde e educação, o que compromete a qualidade dos serviços para a população.
18º – CAIXA 2 EM CAMPANHA ELEITORAL
Vídeo exibido pelo programa Fantástico da TV Globo, mostrou membros do Comitê ligado à campanha eleitoral de Beto Richa, fazendo pagamentos de contas não declaradas à Justiça Eleitoral. O caso está sendo investigado pelo TRE/PR, depois de representação impetrada por partidos políticos.
19º – A FAMOSA “CAIXA PRETA” DA URBS
A definição do valor da passagem de ônibus em Curitiba (hoje de R$ 2,20) continua sendo uma incógnita. Poucos sabem realmente como ela é definida e a participação dos usuários não existe. A URBS, empresa que gerencia o transporte coletivo, é alvo de várias denúncias e várias ações milionárias poderão quebrar a empresa.
20º – VIAGENS ELEITORAIS DE BETO RICHA
Beto Richa começou muito cedo a sua campanha eleitoral viajando em dias de semana e de pleno horário de expediente por vários municípios do interior do estado, fazendo a chamada pré-campanha. Pedidos de informação sobre viagens (quantidade e gastos realizados) foram derrubadas pela bancada de apoio ao tucano na Câmara.
21º - DROGADIÇÃO AUMENTA E USUÁRIOS NÃO ENCONTRAM ATENDIMENTO ADEQUADO
O aumento do consumo de entorpecentes, em especial do crack, é sentido fortemente na capital do Paraná. Os programas de atendimento e tratamento aos dependentes são precários e insuficientes.
22º – ENCHENTES: CURITIBA NÃO TEM PLANO DE DRENAGEM
A falta de um plano de drenagem ficou escancarada com inundações ocorridas em vários pontos da cidade. Muitas famílias perderam bens ou ficaram desabrigadas.
23º- VETO A PROJETOS APROVADOS NA CÂMARA
A regra é o veto! É assim que Beto Richa como prefeito tratou grande parte dos projetos de autoria dos vereadores aprovado na Câmara Municipal.
24º – LONGA JORNADA DE TRABALHO DE EDUCADORES E SERVIDORES DA SAÚDE
Beto Richa não se sensibilizou com demanda tão importante e que acarreta prejuízos ao erário e na qualidade de trabalho destes servidores públicos. Dezenas destes profissionais se licenciam para tratamento de saúde em razão da desgastante e longa jornada de trabalho.
25º - ATRASOS EM OBRAS DO PAC
Embora os recursos estejam liberados para a prefeitura desde meados de 2008, até abril deste ano apenas 40% das obras foram concluídas. Chuvas intermitentes e falta de mão-de-obra qualificada são fatores que explicam, mas a COHAB admite que não tinha aparato técnico para “dar conta” do grande volume de recursos encaminhados pelo Governo Federal para a realização de obras nesta área.
26º – BICICLETÁRIOS ABANDONADOS
Beto Richa não tornou prioritário uma ação para valorização do uso do transporte alternativo. Prova disso, é que seis bicicletários (estacionamento para ciclistas)construídos em 2007, se deterioram e permanecem vazios.
27º – DIVERGÊNCIA COM O GOVERNO DO ESTADO ATRASA LIBERAÇÃO DE RECURSOS PARA A CIDADE
Birra do prefeito com o governo impediu que recursos importantes para a cidade fossem liberados e garantissem a realização de obras importantes em tempo mais curto. Apenas em março deste ano é que convênios foram confirmados, após governo do Estado ter perdoado dívida de mais de 400 milhões da prefeitura.
28º - DESVIO DE R$ 2,1 MILHÕES DA SAÚDE
Apontada pela própria Procuradoria Geral do Município, a área da saúde teve um desvio de R$ 2,1 milhões de recursos. Esses recursos pertenciam ao SUS e foram desviados pela gerente do núcleo de saúde municipal e supervisora do núcleo de finanças, conforme informações da PGM.
29º – CASO PLENA: SEGURADORA É CONTRATADA SEM LICITAÇÃO
A Corretora de Seguros Plena, de propriedade de Muriel Klaus (filho Alberto Klaus aliado de Beto Richa), foi contratada pela prefeitura sem licitação e com majoração da comissão paga a empresa corretora, de 6 para 11%. O caso foi parar na Justiça.
30º - PARCERIAS COM MUNICÍPIOS VIZINHOS INSUFICIENTES
É notório que as parcerias de Curitiba com os municípios vizinhos são vitais ao enfrentamento adequado de problemas comuns na região, mas esta não foi uma marca da gestão tucana na capital. Um grande exemplo disso é a área da saúde. Ao invés de garantir o funcionamento eficiente do Consórcio Intermunicipal da Saúde, previsto em legislação, a prefeitura de Curitiba reclama que usuários “de fora” ao utilizarem as unidades geram gastos adicionais ao sistema municipal.
31º - FALTA DE MÉDICOS É UMA REALIDADE NA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE
Além de outros fatores, os baixos salários pagos ao profissional médico, responsabilidade exclusiva da prefeitura, continua sendo decisivo para a eternização deste problema. O vencimento inicial do médico em Unidade Básica de Saúde é de R$ 2100 por 20 horas semanais.
32º – CAOS NO TRÂNSITO
Os congestionamentos são cada dia mais freqüentes em Curitiba, não somente na região central, e na “estrada destaque” construída na primeira gestão tucana, a Linha Verde, o que demonstra a debilidade da política de mobilidade urbana implementada.
33º - RIOS DE CURITIBA ESTÃO POLUÍDOS
A chamada cidade ecológica tem todos os seus rios poluídos. O trecho do rio Iguaçu que corta a cidade, é o segundo mais poluído do Brasil. Não há fiscalização adequada por parte da Prefeitura, a única com poder de polícia para tal. A cidade recebe água limpa da região metropolitana e devolve água suja. E o tema não é prioridade na pauta municipal.
34º - PROGRAMA FEDERAL NA ÁREA DA SEGURANÇA DEMORA DOIS ANOS PARA SER DESENVOLVIDO
O PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) do Governo Federal destinou em 2008 cerca de R$ 7 milhões para Curitiba, mas só depois de muita cobrança é que as ações foram iniciadas.
35º - MILHÕES EM PROPAGANDA
Toda a propaganda da prefeitura é custeada pelo orçamento da prefeitura. Somente neste ano serão R$ 28 milhões com publicidade, feita inclusive e de forma irregular, em jornais do interior do estado do Paraná, conforme denunciado pela imprensa.
36º - CONTROLADORIA TEM UM FUNCIONÁRIO
Diferentemente do Governo Federal que tem a Controladoria Geral da União com status de Ministério, para o controle de contratos, convênios e gastos, a prefeitura de Curitiba não tem uma Controladoria adequada para o controle de suas transações. No início da gestão vários contratos “problemáticos” foram cancelados depois de denúncias da imprensa e não por iniciativa da sua “controladoria”.
37º - CASO IGUATEMI: CONTRATO DA PREFEITURA COM ALIADO POLÍTICO DE BETO RICHA É CANCELADO DEPOIS DE DENÚNCIAS
A construtora Iguatemi, de propriedade de Alberto Klaus, aliado de Beto Richa, foi acusada de falsificar documentos para se habilitar a licitação de serviços de pavimentação. Mesmo assim e contra recomendação expressa do Tribunal de Contas do Estado, a prefeitura firmou outros contratos com a construtora que totalizaram cerca de R$ 5 milhões. Os contratos só foram rescindidos após a publicação das denúncias.
38º - MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA
Curitiba conta com uma única casa abrigo para mulheres em situação de violência doméstica. São apenas 40 vagas incluindo nesse total os filhos que também são abrigados neste espaço. Não há uma política pública que leve essas mulheres à superação da situação de violência.
39º - ATENDIMENTO A CONTRIBUINTES PELO TELEFONE (156) É DEMORADO E INSUFICIENTE
Contribuintes reclamam de longa espera para atendimento via telefone e pela solução de problemas registrados.
40º – INSUFICIÊNCIA DE PROGRAMAS PÚBLICOS
Insuficiência de programas de atendimento para crianças, jovens, idosos e famílias é uma realidade na capital. Apenas programas federais (como o Bolsa Família e o PETI) chegam a totalidade das pessoas necessitadas.
41º – FALTA DE TRANSPARÊNCIA: PREFEITURA NÃO PUBLICA CONTAS NA INTERNET
Diferente dos governos federal e estadual, a prefeitura de Curitiba ainda não publica na internet, através de um Portal da Transparência, as suas contas (receitas e despesas). Prefeitura será obrigada a publicar até maio deste ano, de acordo com a Lei Complementar Federal 131/09.
42º – ORÇAMENTO PÚBLICO NÃO É DEFINIDO COM A PARTICIPAÇÃO POPULAR
Ao contrário de muitas cidades, o Orçamento Municipal não é definido com a participação livre e soberana da população. Além disso, as estimativas orçamentárias do Município tem variado entre superestimação e subestimação o que interfere negativamente no planejamento das ações do governo.
43º - PASSE ESCOLAR NÃO ATENDE MAIORIA DE ESTUDANTES
Em Curitiba, as restrições são grandes para a concessão de passe para os estudantes, diferentemente de outras capitais ou cidades que tem programas mais avançados e que atendem maior percentual de estudantes.
44º - TUCANO “CAPITALIZA POLITICAMENTE” INVESTIMENTOS DO GOVERNO LULA NA CIDADE
O volume de recursos provenientes do Governo Federal transferidos para Curitiba nunca foi tão grande como agora. O Hospital do Idoso, os Restaurantes Populares, a reforma dos terminais de ônibus e as milhares de novas unidades habitacionais são exemplos de empreendimentos viabilizados com verbas federais. Beto Richa inaugurou várias obras, omitindo (ou diminuindo a divulgação) a origem federal dos recursos.
45º - RUAS ESBURACADAS
No rol de problemas da gestão tucana incluímos este, apontado pelo próprio sucessor em entrevista a Gazeta do Povo (28/03/10) como um dos principais problemas da cidade.