sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Alfredo Cuervo Barrero : É proibido


Publiquei ontem este poema como sendo de Pablo Neruda, mas após receber comentário de Paulo e checar em várias fontes, confirmei autoria como sendo de Alfredo Cuervo Barrero, portanto, retifico:

É proibido chorar sem aprender,
levantar-se um dia sem saber o que fazer,
ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas,
não lutar pelo que se quer, abandonar tudo por medo,
não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor,
fazer com que alguém pague por tuas dúvidas
e mau-humor.

É proibido deixar os amigos,
não tentar compreender o que viveram juntos,
chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
fingir que elas não te importam, ser gentil só para que
se lembrem de você, esquecer aqueles
que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
não crer em Deus e fazer seu destino, ter medo da vida
e de seus compromissos, não viver cada dia como
se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram, esquecer seu passado
e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
pensar que a vida delas valem mais que a sua,
não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
deixar de dar graças a Deus por sua vida, não ter um momento
para quem necessita de você, não compreender que o que
a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
não viver sua vida com uma atitude positiva,
não pensar que podemos ser melhores, não sentir que sem você
este mundo não seria igual.



Alfredo Cuervo Barrero


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dilma é capa da revista 'Hello!' na Bulgária

A presidente Dilma Rousseff foi a capa da edição número 2 da revista "Hello! Bulgária", publicação recém-lançada no país. Vestida com um terninho vermelho e com o braço esquerdo erguido, fazendo sinal de positivo, Dilma divide a página da revista com o cantor norte-americano Lionel Ritchie e a filha dele, além de uma celebridade local.
Filha de um advogado búlgaro que migrou para o Brasil na década de 1930, a presidente ficou famosa no país dos Bálcãs já na época da campanha presidencial. Com a vitória, a fama de Dilma percorreu todo o país, onde ela tem parentes. "Dilma Rousseff - uma história búlgara" é o título da capa da "Hello! Bulgária" que já está nas bancas e cita "uma história do local do acontecimento".
A reportagem foi escrita pelo jornalista Georgi Nalbantov e é reproduzida também na página da revista na internet (www.hola.bg). No dia da posse, 1º, a presidente foi convidada pelo presidente da Bulgária, Georgi Parvanov, a visitar o país. "A vitória de Dilma Rousseff encheu de orgulho o povo búlgaro", disse Parvanov, na ocasião. A "Hello! Bulgária" é a mais nova publicação do grupo que edita a revista "Hola!", fundada na Espanha em 1944 e que está presente em mais de 70 países, por meio de 17 edições, entre eles o Brasil, onde foi lançada em 2010. A publicação dedica-se à intimidade de personalidades de diferentes áreas - da realeza às artes. 

O ladrão "cara-de-pau" e o Jornal da Globo de ontem

Ao final da sua edição de ontem e aparentando surpresa indignação, William Waack comentava, com o auxílio de imagens feitas "no ato", a ação de um ladrão de cobre, numa ponte, se não me engano em São Paulo, capital.

O ladrão fazia o "serviço", mesmo percebendo que estava sendo filmado.

Ao final do mesmo, dirigiu-se ao câmera, indo embora com o fruto do seu "trabalho" e aproveitou para dizer que, pelo menos não roubava pai de família e ainda cobrou a porcentagem pela aparição no programa.

Na mesma edição do jornal, ao longo de sua duração, imagens sobre as enchentes em São Paulo, ao melhor estilo sensacionalista, daquilo que já não causa mais só pena, mas principalmente indignação e revolta, à medida que o tempo passa e nada de efetivo é feito pelas autoridades locais, responsáveis diretas pela prevenção possível nesses casos, mas que ao longo dos anos não faz nada para, ao menos, contornar o problema, no que é possível para o ser humano.

Pois sequer citaram o governo municipal e estadual, direcionando a culpa ao governo federal, quando em matéria, diziam que o mesmo investe pouco em prevenção e depois tem que gastar muito mais, nos reparos.
Contaram até com a opinião de um "especialista" que, gaguejante (talvez por saber tratar-se de mais uma armação da central Globo de jornalismo para falar contra o governo federal), dizia que as medidas preventivas costumavam ser impopulares, especialmente em anos de eleição e ía por aí a fora, falando de suas "convicções".

Quem é mesmo o "ladrão cara-de-pau", que "rouba cobre" na maior desfaçatez, deixa os outros "às escuras" e ainda cobra por isso?


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O que é a 'verdade'?

Por conta de uma questão que foi colocada no twitter, sobre o que parece ser uma eterna dúvida, como tantas outras da raça, sobre o que seria melhor, o Estado ou a Empresa, quando "toca" de "administrar negócios", em geral, comecei a pensar politicamente, naquilo que a palavra nutre de mais técnico e dentro de um parâmetro meramente de observação, minha, sobre o assunto, cheguei ao seguinte:

Sou de 'esquerda', o que gera uma outra discussão. Ainda existe 'esquerda' e ' direita'?

Enquanto houver pessoas que pensem 'coletivo' e as que pensem 'próprio umbigo', existirá, nesta ordem, 'esquerda' e 'direita', com toda a precariedade que as relações humanas guardam, antropologicamente falando, e me situo, e explico onde me situo, para defender a minha idéia a respeito daquele tópico primeiro que me levou à estas mal traçadas.

Todos deveríamos saber, que, seja o Estado ou a Iniciativa Privada, a comandar um negócio qualquer, o sucesso nos resultados, tanto para quem gere, como para quem usufrui de um determinado serviço, guarda muito a ver com uma honestidade civilizada, ao menos, que permita que todos, aparentemente, saiam ganhando, ou então, minimamente satisfeitos com o "negócio".

Qualidade do produto (seja qual for o serviço prestado), presteza no atendimento (seja inicial ou nas reclamações), cobranças compatíveis com o serviço prestado, bilateralidade efetiva no relacionamento 'empresa-cliente' e poderia elencar várias outras situações que envolvem este relacionamento, mas estas aí já me parecem traduzir o básico do básico, para que se crie uma coisa chamada 'credibilidade', normalmente acompanhada daquela 'satisfação mínima' de que falo ali prá trás.

Mas desde que o dinheiro foi inventado, ("um valor padronizado pelo Estado coube aos gregos do século VII a.C. "Foi uma invenção revolucionária. Ela facilitou o acesso das camadas mais pobres às riquezas, o acúmulo de dinheiro e a coleta de impostos – coisas muito difíceis de fazer quando os valores eram contados em bois ou imóveis", afirma a arqueóloga Maria Beatriz Florenzano, da Universidade de São Paulo (USP)."), muita "água rolou por baixo dessa ponte" e o que vamos observando ao longo dos séculos, é uma ganância deslumbrada, tomando conta das cabecinhas reprimidas de pessoas doentias, que através do poder pelo dinheiro, teem criado toda a desgraça, ou sua maioria, que acontece no planeta.

Hoje, o "fio de Ariadne", para resolver tanta desigualdade gerada por essa ganância, parece haver se perdido, tal a maneira que ficou incrustrada na civilização planetária, esteja-se em que lado se esteja. Não se lhe acha mais a ponta, na prática!

O que tem conseguido aliviar a hecatombe total, é justamente o Estado, este "maldito" dos neoliberais, maiores representantes na Terra do 'capitalismo', este que "desvairou-se" lá da idéia inicial grega, que tentava emprestar uma organização econômica às sociedades, de maneira civilizada.

Aqui surge um outro problema! A constituição deste Estado, tanto propriamente dita, a lei!, quanto sobre quem o governa, quem lhe faz oposição e o quanto de democracia efetiva existe neste Estado!

Para ficarmos no 'aqui-agora', que isto é um post e não um tratado, aqui no Brasil, vamos construindo uma democracia, "com toda a precariedade, etc", e temos nos saído razoavelmente bem. Não vou nem me estender sobre "quem fez o que" nestes "500 e poucos anos" de história, (meramente para não suscitar polêmica, fora a que o texto, democraticamente, venha a produzir!), mas vejo evolução!

Aparentemente, pelo que se vê nas vida das pessoas, nas oportunidades e na inclusão, que vão aumentando, na solidez atual da economia, na diminuição do "risco país", nas reservas financeiras, apesar da dívida interna absurda, nas quebras sistemáticas positivas de vários índices, apesar de tudo de miserável que ainda se sofre(mos), vamos em um bom momento, mas apenas fazemos parte de um contexto maior, onde a maior potência vai mal, o que pode fazer tudo mudar, na busca pela resolução dos problemas causados pela livre iniciativa e o livre mercado, que neste país, nesta maior potência (Estado), encontram apoio para "agir" ao "bel prazer" e também para cobrir-lhes os rombos.

É o Estado do "laissez faire", que por 'traquinagens' da livre iniciativa, do livre mercado (que meninos adoráveis, não? Só queriam ficar "ziliardários"", lindinhos!!), acaba tendo que tirar da sociedade, para salvar a pele de todos(?). Pelo menos, este "todos" (é o que vendem, embora esqueçam de dizer que "todos", estavam lá, "quietinhos"!), estavam levando suas "vidinhas" e não tinham nada a ver com "isso"!

Ou seja, dois Estados que apesar da temporalidade, gerem seus cidadãos de modo diferente e com resultados diferentes. Um, onde o Estado tenta civilizar as relações, baseados em uma maior igualdade entre os indivíduos, à léguas de qualquer idéía comunista clássica mais premente, outro, fazendo "vistas grossas" à incivilidade do capitalismo que se pratica de maneira cada vez mais selvagem, nos países neoliberais, sendo, talvez (sic), seu maior propulsor.

Claro que os EUA tem história, tem um desenvolvimento científico e tecnológico importante, forjado em sua maioria pelo seu afã bélico, de dominação, de competitividade, etc, mas que vem se traduzindo em um desastre histórico, como 'civilização', um desastre de civilidade, com aumento da pobreza, apresentando a maior população carcerária do mundo [o que diz muito do resultado de toda sua história democrática(?)], que é traduzida por uma mão frouxa do Estado que beneficia uma parcela desprezível da população e que depois, "clama" pela maior parte da mesma, para a resolução de problemas que por ela não foram criados.

Claro que o Brasil, por conta de séculos de má gestão, (de novo não vou elencar, nem nomear, pois tento ser o mais técnico possível, eu disse possível! e não vamos esquecer que é uma visão leiga sobre tecnicalidades!!), de uma maneira ou de outra, vai tentando civilizar as relações e não coincidentemente, vai tendo sucesso em sua maneira de gerir.

Vale lembrar que essa é uma realidade não aplicável somente ao Brasil e aos EUA, basta que abramos os periódicos mundiais, especializados ou não, que por mais tendenciosos que costumem ser (pois servem, ordinariamente, à livre iniciativa), não conseguem esconder sobre o que vem dando certo e o que vem fracassando de maneira retumbante, perniciosa e metastática no planeta, a quem "segue o mestre".

Estado, ou livre iniciativa?

Uma mescla civilizada?                                    

O que é a 'verdade'?

                                                       Decifra-me ou te devoro...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A miséria e os miseráveis

Ricardo Giuliani Neto - 10/01/2011 - do Última Instância

Tantas são as coisas que nos fazem miseráveis.
Vejam o caso do Ronaldinho Gaúcho com Grêmio, Palmeiras e Flamengo; regado a Assis Moreira, seu irmão e empresário. Sim, são tantas as misérias e tantos valores para recuperar.
A palavra fora empenhada, segundo a mídia, com todos os clubes, e isso, simultaneamente. Eu mesmo ouvi esta afirmativa pela boca dos dirigentes de Grêmio e Palmeiras. Fio de bigode? Esqueçam! Coisa dos miseráveis de espírito.
Por outra, na semana passada, abriu-se a polêmica sobre os passaportes diplomáticos dados à família do Lula. Ostentaram-se manchetes nos grandes jornais do País e a OAB resolveu, pela boca do seu Presidente nacional, ameaçar com ação judicial a "tropelia" do Itamaraty.
Lembrai de uma certa reportagem, publicada no centro do País, sobre a portentosa churrasqueira que o Presidente da República usaria nas suas férias. Trataram como o suprassumo da mordomia presidencial; de qual miséria falamos? A do bucho ou a do caráter? Qual nos atordoa?
Bem que a OAB poderia questionar a inconstitucionalidade do "reajuste salarial" dado pelo Congresso rasgando o princípio constitucional da publicidade; mas não, isso seria uma disputa real, não só com os deputados e senadores, também o seria com o judiciário. Qual a miséria? A do espírito ou a do bucho?
Não defendo a concessão de passaportes para os "Lula da Silva" e nem quero que o Ronaldinho jogue no Brasil ou no Grêmio. Só não acho normal o escracho da palavra descumprida e os factóides esvaídos na ocasião.
Quem sabe uma campanha nacional em favor da extirpação da miséria de espírito? A mediocridade deveria perder espaço na nossa cultura e deveríamos nos indignar com as "ridiculisses" da sociedade civil e dos agentes do Estado. São bobagens ditas e publicadas todos os dias; dizem e está dito, e as consequências? Dizem, e deixa prá lá!
A oposição, pela pena do tucanato, resolve agir no STF no caso Batisti, como se o legitimado processual não fosse o governo italiano; a situação, pelo PMDB, quer cargos até no Big Brother Brasil, e o PT, ingênuo, indigna-se e esperneia. De que misérias falamos mesmo? Dos políticos gozando com manchetes de jornal?
Presidenta, terminar com a miséria é correto, todavia, insuficiente. Deveria a Senhora lidar não só com a miséria que mata de fome; a miséria de espírito é muito mais danosa que a miséria do bucho, pois, a pior morte ainda é a que não mata o corpo, mas a que aniquila a honra e os mais rasos sentimentos de justiça. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Aonde investem os capitais especulativos depois da crise imobiliária

Mais uma vez posto aqui, agora um trecho, da 2ª de uma série de reportagens sobre economia mundial, feitas por Miguel Giribets e postadas originalmente no ARGENPRESS.

O intuito, é alertar, ou apenas tentar demonstrar para que não se enganem, que essa notícia que vai surgindo nos tablóides mundiais de maior destaque (praticamente todos vendidos aos senhores do capital especulativo atrás de suas "migalhas"), sobre a questão da produção de alimentos no mundo, é falaciosa e tem endereço certo.

Todos os textos desta série se encontram cá no blog e são consistentes, com gráficos e dados extraídos de órgãos confiáveis, pelo menos quando lhes convém ou não lhes afetam os interesses, e no caso dos alimentos, o texto é claro ao afirmar que a necessidade alimentar mundial poderia ser suprida, se o "capital", esse ser sem rosto, não fosse tão incivilizado (com tudo que cabe nesta e gera, a incivilidade!).

A quem interessar possa, os demais textos sobre a economia mundial e como ela tem funcionado e se comportado após a "bolha imobiliária" dos "states", que fazem corar amoral, podem ser encontrados, pela ordem, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Depois da "bolha imobiliária", os capitais especulativos estão buscando outros refúgios.

a) Um dos mais importantes, é o preço dos alimentos. Pois se havia alguma dúvida, em novembro de 2009 a financeira Société Générale, sentenciava que os alimentos são um "valor seguro" de cara para o futuro.Um dos mais importantes é o preço dos alimentos. Os preços de venda do arroz e do milho (base alimentícia na América Latina e Ásia), estavam "malucos" em 2009: o milho era já uns 50% mais caro que 3 anos atrás e o arroz, uns 115%. Estes preços ainda seguem subindo espetacularmente em 2010. Além disso, aos especuladores de contratos futuros, lhes cairam bem os problemas de safra na Rússia, Ucrânia e outros lugares da Europa, pra encontrarem justificativa para seus erros e assegurar os preços altos.

O que está acontecendo com o preço dos alimentos, é um drama anunciado: praticamente a metade da população mundial, vive com menos de um dólar por dia (o mínimo que fixa o Banco Mundial como limite da pobreza extrema), dos quais 1.000 milhões padecem de desnutrição crônica e dos quais 158 milhões são crianças.

Segundo a ONU, para a Agricultura e Alimentação (FAO), 34 países estão neste momento em crise alimentar, a maioria na África subsaariana). A ONU adverte sobre o perigo da fome para 100 milhões de pessoas, ou que seus programas de ajuda que alimentam a 90 milhões de pessoas, podem dar em nada como consequência da subida dos preços. Jean Ziegler, comissário da ONU para a Alimentação, fala em "assassinato massivo silencioso".

Mas o problema é ainda mais sério: a crise alimentar esta fazendo já estragos nesses 1.000 milhões de pessoas com desnutrição crônica em áreas da América Latina, Caribe e África subsaariana; conforme a crise avance, o seguinte coletivo é de menos de dois dólares de ingresso diário, com o que em poucos anos a fome crônica afetará à metade da população mundial. Para a outra metade, as dificuldades econômicas para comprar alimentos, serão crescentes. Estamos ante uma verdadeira tragédia para toda a Humanidade.

Ao contrário, a capacidade de produzir alimentos é, sem dúvida, maior que nunca. Um informe da Food Policy Research Institute diz, que podemos produzir alimentos de sobra para toda a população mundial. Na realidade hoje se produzem alimentos para alimentar o dobro da população do Planeta.

Alguns exemplos do que a política neoliberal faz com os preços dos produtos agrícolas: O Haiti se autoabastecia de arroz, há alguns anos.  Com a liberalização de mercados, chegou arroz barato (subvencionado), dos Estados Unidos e arruinou a produção local; agora o preço do arroz está nas nuvens. O mesmo problema começa a afetar as Filipinas a conseguir arroz das importações e não da produção própria. O Quênia, produzia alimentos suficientes para sua população há 25 anos: hoje, importa 80% dos alimentos. 70% dos países pobres são importadores natos, de alimentos.

A produção de biocombustíveis é outro elemento que dispara os preços dos alimentos. Os próprios economistas neoliberais calculam que a fabricação de biocombustíveis incide em uns 25 a 30% dos incrementos nos preços dos alimentos.

Ao estourar a bolha imobiliária, entre 150.000 e 270.000 milhões de dólares se lançaram a especular com os preços a futuros (commodities), das matérias primas agrícolas nos últimos meses de 2007 (fonte: a consultora norte-americana Lehman Brothers). No primeiro bimestre de 2008 a especulação somou outros 40.000 milhões de dólares mais e as cifras crescem ano após ano. No ano 2000, tão "só" 5.000 milhões de dólares especulavam com o preço dos alimentos.

Pois se tudo isso fosse pouco, os preços das matérias primas em 2009, estavam caindo nitidamente, com repercussões terríveis para as economias do Terceiro Mundo. Por exemplo, a soja chegou a um preço de 600 dólares/tonelada antes da crise, mas agora está na metade (a soja é o principal produto de exportação do Brasil, Argentina e Paraguai). Os preços dos minerais vão pelo mesmo caminho, afetando especialmente aos países andinos e sobretudo Brasil e Argentina. O cobre tem o mesmo preço que em 2005. estes países tentam compensar a queda dos preços com uma maior exploração dos trabalhadores (com consequências laborais). Quase 90% da população da América Latina e 95% do PIB, dependem dos preços das matérias primas.

b) O ouro é outro dos refúgios favoritos dos capitais que até há 3 anos especularam com a bolha imobiliária. Seu preço em 2009 é uns 58% superior a 2008. O comércio do ouro chegou aos 20.000 milhões de dólares en janeiro-novembro de 2008, com um crescimento de 45% em relação a igual período do ano anterior. O comércio de futuros do ouro aumentaram uns 80% em 2008, alcançando a cifra de 5,1 bilhões de dólares. O preço dos valores futuros do ouro em março, chega a 1.000 dólares a onça em fevereiro de 2009; em 2001, o preço do ouro estava em 200 dólares. Nos primeiros 9 meses de 2010, o ouro multiplicou seu preço por seis. De 250 dólares/onça em 2003, chega aos 1.258 dólares/onça em junho passado e a 1.280,8 dólares/onça em setembro de 2010.

A prata também subiu de preço em uns 39% em 2009, com relação a 2008. O comércio de futuros da prata cresceu uns 60% em 2008 e alcançou a cifra de 1,2 bilhões de dólares.

c) O petróleo também serve de valor-refúgio aos capitais especulativos. Uma vez que vem mantendo um preço elevado sem nenhuma justificativa e os valores a futuro, apontam uma situação ainda pior. O preço do petróleo passou dos 45 dólares/barril em janeiro de 2009 a 77 dólares/barril tão somente 10 meses depois. Um dos motivos do ataque ao Irã, seria que "justificaria" que o  preço do petróleo se pusera nas nuvens.

d) Outro ponto curioso da especulação, é o mercado de CO2, que movimentou 350 milhões de euros diários em 2009

e) A bolsa é a fonte de especulação clássica do capitalismo, desde a segunda metade do século XIX. Mas é sobretudo a partir do ciclo neoliberal (ver gráfico mais abaixo), quando alcança níveis fora de toda a lógica.. “Nos Estados Unidos, à parte do setor financeiro na capitalização de estoque passou de 5,2% em 1980 à 23% em 2007.” (17)


f) a dívida pública, a que dedicamos um capítulo especial para "continuação".la deuda pública, à que dedicamos um capítulo especial, como continuação.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lula reconstruiu o capitalismo no Brasil, o fez menos brutal e freou luta dos oprimidos

Pedro Echeverria (ARGENPRESS.info especiais)

1. Hoje, último dia do ano, a mídia mundial tem dedicado muitas horas por dia para lisonjear Inácio Lula da Silva que vai entregar amanhã o governo à Dilma Rousseff. A mídia triste tem dito que "quem não aparece nas notícias, não existe", ou seja, os meios de comunicação "desaparecem" com os seus inimigos e críticos e mostram a bunda para seus amigos. Lula não é muito amigo deles, -que de maneira maniqueísta- sempre usam a quem assim se deixa usar. Mas não atrevo-me a dizer que Lula foi apenas um cordeiro, porque eu acho que o mundo vai e é que nós não sabemos onde, mas essas mudanças um dia os "de baixo" mudaram com suas lutas o mapa-mundi e se colocaram em uma posição que lhes permitirá reivindicarem-se como seres humanos. Lula, apesar de ter sido um trabalhador no sistema capitalista era um governante só, mas com inquietações, e teve que se adaptar a uma estrutura capitalista muito poderosa.

2. Mas as experiências políticas e de governo de Lula, Allende, Chavez e Morales, nos assinalam que, segundo os especialistas, há que aprender a andar no fio da navalha, para não cair em um lado ou outro. Tomar cuidado para não vender a dignidade e os princípios para o maior lance, por um lado, ou simplesmente se recusar a fazer qualquer acordo por receio de salpicos ou manchas, por outro. Parece que a inteligência política é demonstrada quando os ativistas sociais e líderes políticos podem lutar entre ou na frente do lixo sem se sujar. Porque há manchas indeléveis que não se podem esconder, mas há outras que estão desaparecendo por causa de tantas outras ações que passam a ter maior peso. Personagens da burguesia não têm simples manchas porque assim nasceram, são, por natureza, mas há, sem dúvida, políticos honestos que sabem concordar com o inimigo, a fim de alcançar o progresso e os avanços que as lutas populares necessitam.

3. Meus amigos Alfonso e Isela apostaram duas garrafas de vinho, quando Lula assumiu o governo do Brasil em janeiro de 2003. A companheira apostava que Lula não levaria o Brasil ao socialismo, Alfonso pensava que o brasileiro seguia por essa estrada. Antes dos quatro anos, quando ele viu Lula reprimir os camponeses sem terra e caminhar pela reconstrução capitalista, decidiu dar os vinhos da aposta para Isela. O que eu acho difícil é saber se Lula reconstruiu ou renovou o capitalismo explorador, se deixou para Rousseff ("marxista", uma ex-guerrilheira e ex-prisioneira) que ajude o Brasil a superar alguns obstáculos capitalistas e se o socialismo possa ser construído daqui há alguns anos. Alfonso pode pedir para que Isela devolva as duas garrafas, ou pelo menos para que nós as tomemos, os três. A realidade é que apesar de eu dizer que Lula "reconstruiu o capital" na análise social não há verdades fixas ou definitivas.

4. Luis Arturo me disse: "Lula está fazendo mais política antiimperialista que Chávez, embora a maioria dos esquerdistas digam o contrário", e um outro camarada me explicou na década de sessenta, que "de acordo com Marx, os EUA, como o país mais desenvolvido do mundo estava mais próximo do socialismo do que a própria URSS (mesmo com um monte de atraso econômico), que se declarava socialista ". Parece que este tipo de problemas e abordagens devem levar-nos a analisar muito bem sobre os objetivos pelos quais lutamos. Dizer que é preciso primeiro levar o governo a partir de então, determinar a altura do que você precisa fazer é definitivamente perigoso, porque as pessoas têm enganado o mundo durante séculos. Pior, todos os governos comprometem-se na campanha e notários que fazem isto e aquilo e depois traí-lo. Não adianta nada a promessa boa, juras, ou sinais, o importante é lutar com  consciência.

5. Mesmo o mais honesto e honrado no mundo, ou o que se creia assim, quando no governo se vê em meio a um emaranhado de interesses, torna-se uma obrigação servir ao mais poderoso, quem mais vai garantir a continuidade. Não fazer isso é bobagem, porque ele é colocado no caminho da renúncia do duramente conquistado.Se uma pessoa honesta no México está a chegar ao poder (adicione o nome que você quiser) procura e não encontra indígenas, camponeses, trabalhadores, cidadãos organizados e dispostos a lutar e, ao contrário, somente a políticos oportunistas, o Conselho Empresarial e homens de negócios, Televisa, TV Azteca, batendo palmas e exigindo, "com quem quer ir?". Se não há força ou ameaça de apoio aos trabalhadores em greves e paralisações de trabalho e as grandes empresas e outros meios de comunicação social estão chamando reuniões de emergência para apresentar seus projetos de governo, que pode ser feito se não houver uma escolha?

6. Lula poderia fazer e fez coisas interessantes no governo, reduziu a taxa de pobreza e deixou no seu lugar uma personagem como ele (Dilma) para prosseguir o seu programa, mas ele sabe que significa muito pouco para fazer avançar sobre a grande peregrinação capitalista, grandes bancos, empresas e meios de comunicação social que dominam o mundo e que no Brasil encontram as melhores maneiras para se adaptarem. A questão histórica é como é que o governo está aceitando as regras da burguesia e da luta, em desvantagem contra o poder dos ricos, ou fica fora de tentar derrubar as instituições com todos os tipos de instrumentos da "montanha"? Quando Lula tomou posse, havia um movimento de massa forte nas massas do Brasil, no campo e da cidade, os brasileiros estavam em movimento, por que Lula não se comprometeu com eles para enfrentar a grande burguesia brasileira? Como conseguiu enfraquecer o movimento operário, campesino que era muito forte, então?

7. Nos próximos dias, provavelmente se publicarão artigos e ensaios que discutem o que aconteceu com os trabalhadores e a oposição de esquerda no Brasil. A mídia mundial, agências de notícias essencialmente controladas pelos capitalistas, podem dizer o que quiserem, mas não podem silenciar os pensadores independentes que buscam construir um balanço do que aconteceu no Brasil nos últimos oito anos para fazer um julgamento que ajude às lutas na América Latina, um continente no qual o Brasil é o país com a maior área de terras, com maior potencial de população e economicamente mais vantajoso. Ao deixar o governo Lula, o Brasil tem uma posição privilegiada na política mundial, faz parte do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que começou a confrontar o forte EUA. Talvez seu papel no mundo seja mais importante do que a busca impossível brasileira de construir o socialismo num só país.