sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

(Veja XVI) A Cara da Veja

Slogan da nova campanha publicitária de Veja:


"Veja, indispensável para o país que queremos ser"


Clique aqui

A cara da Veja, para todos os leitores que freqüentam o portal da revista, é o Blog de Reinaldo Azevedo.

Assista à campanha institucional da revista. Repare nas imagens, mostrando os problemas nacionais, a miséria, as criancinhas, a violência. E confira, na prática, “qual o país” que Veja quer ser.

Uma revista é o que ela publica, não o que a publicidade imagina.

Azevedo foi um jornalista apagado até os 40 anos de idade. Depois, entrou para a revista “Primeira Leitura”, que cerrou as portas quando foi denunciado o esquema de patrocínios políticos que a mantinha.

Foi, então, contratado por Mario Sabino para se tornar o blogueiro da Veja, incumbido dos ataques aos adversários e da bajulação aos aliados e à empresa. Pratica ambos com notável desenvoltura.

Dedica a Sabino temor reverencial. Quando não recebe ordens diretas da direção, procura se antecipar ao que considera ser a opinião da revista.

Às vezes erra e entra em pânico.

Quando Barack Obama despontou nas pesquisas, escreveu comentário preconceituoso contra ele. No final de semana a edição da revista elogiava o candidato. Sua reação foi um e-mail temeroso a Sabino, perguntando das conseqüências do escorregão.

Acalmou-se quando recebeu o “nihil obstat”. Passou recibo no Blog, divulgando o e-mail súplice e a absolvição generosa.

Tenta reproduzir o ideal “yuppie” do grupo, como apregoar que sempre foi bem sucedido (até os 40 anos era jornalista apagado; até dois anos atrás, jornalista desempregado), gostar de uísque escocês e separar parte de suas cinco horas de sono para “fazer amor”. Aprecia quando comentários supostamente assinados por leitores (grande parte dos comentários é de "anônimos", que tanto podem ser leitores quanto o próprio blogueiro) realçam sua inteligência e charme.

Gosta de ser chamado de "meu Rei" e "tio Rei" pelos leitores. Esbanja preconceito contra negros, mulheres, abusa de um linguajar chulo, não tem limites para caluniar ou difamar críticos da revista.

Seu blog participa do circuito de blogs que fazem eco às "denúncias" lançadas pelo lobby de Daniel Dantas.

É reconhecidamente pessoa desequilibrada, com pendores homofóbicos. Tem obsessão por insinuações sexuais contra adversários e é especialmente agressivo com mulheres. Consegue saltar, sem nenhum filtro, da agressão mais escatológica contra os "inimigos" à bajulação mais rasteira às chefias.

Em qualquer publicação, independentemente do porte, seu desequilíbrio seria contido dentro de limites editoriais. Na Veja de Eurípedes-Sabino não só tem autorização para fazer o que quiser -até sugerir "boquetes" ao presidente - como é estimulado a isso.

Graças à falta de discernimento de Eurípedes e Sabino e à pouca importância que ambos - mais a Abril - dedicam ao trabalho de preservação da imagem da revista, Azevedo representa uma espécie de caricatura, a parte mais grotesca do processo de degradação editorial da revista. É um esgoto sem filtro. Todo o seu desequilíbrio é despejado diariamente no Blog e sua atuação festejada por Sabino.

Hoje em dia, junto ao universo crescente dos freqüentadores da Internet, a imagem de Veja tornou-se irremediavelmente ligada à de Azevedo, o "tio Rei". É o exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.

Confira a cara da Veja:


Por Reinaldo
“Ô Tomaiz, faiz um Bequéti aí pra mim vê se ocê é bão mesmo"

"Um momento lindo nos aguarda: o petralhismo filtrado pela ópera (e bunda) seca de Gerald Thomas. Seca, mas molhada pelo capilé oficial. Em visita ao “Hemisfério Sul” como diz, Thomas deveria ir ao Palácio do Planalto. Aí o Apedeuta poderia lhe dizer: “Ô Tomaiz, faiz um Bequéti aí pra mim vê se ocê é bão memo". E ele, claro, fará. Como sempre"

“Os publicadores de releases, batedores de carteira e caloteiros estão submetendo a tal premiação a um ridículo estupendo. E os cachorros loucos estão à solta. As cadelas também”

“De uma tal Lais F., recebo o que segue. (...) Lais F? Seria a mãe intelectual de Christiane F?”

“Entrei no site da vereadora (…) Ali, a coroa (...) aparece num desenho simpático, todo catita, em que finge ter 13 anos. Essa imagem de Lolita — que já ficou tempo demais na grelha se você tem olhos para ver — é diligentemente cultivada pela vereadora, que gosta de falar aos jovens e sentar de um jeito descontraído. No que me diz respeito, eu escondo dela as minhas crianças. Eu não tenho nada contra coroas, deixo bem claro. Muito pelo contrário. Mesmo! Desde que não miem como gatinhas”.


"Imaginem o sujeito olhar a própria cara triste no espelho, todos os dias, e constatar: “Sou um vendido, um vagabundo, um pilantra”. Mais: “Não pago as minhas dívidas: nem as públicas nem as privadas”".


"Dizer o quê? O sujeito não seria um vendido, um vagabundo, um pilantra e um caloteiro se não fosse também invejoso e mentiroso. Ele conseguiria fazer um blog de sucesso como este? Não. É um analfabeto. Mas poderia ao menos tentar. Só que é preciso trabalhar em vez de bater a carteira alheia."

"Alguns sugeriram que eu peça emprestada àquele lá a botinha cor-de-rosa. Xiii, acho que não vai dar. Para usar aquilo é preciso ter um passado, hehe. Vai que o Alexandre Frota olhe pra mim e diga: "Huuummm, que matéria!". E cobre de mim aquele rodopio sensual e manemolente. Não estou preparado para emoções fortes com esta idade..."


Dos comentaristas

"Anonymous Pyoter


Reinaldo,


Poupe o pé. Pode deixar que eu chuto a bunda desses anões e mascates. O mascate eu sei que corre, é covardão, cagão, mas eu alcanço ele."


"Blogger Sérgio


O Mascate tá com invejinha??? Manda ele distribuir pipoca no balcão de anúncios dele. Depois do vexame que ele se auto-infligiu nos últimos dias, todo mundo sabe que ser PIPOQUEIRO é a melhor das "virtudes" dele."


"Veja, indispensável para o país que queremos ser"


Por Reinaldo

(...) , um desses vagabundos que deveriam estar lendo o blog do ladrão endividado ou do ladrão bem-sucedido, não gostou do que escrevi sobre os planos de saúde




Anonymous Anônimo


Reinaldo,

Esse que escreveu, pela fama, devia tomar cuidado para não morrer na mão de um travesti violento.




Por Reinaldo

Bem, meus caros, como vocês sabem, escreve alguém que não caiu na chamada “Obamamania”. Deixei a exaltação do “corpo moreno, cheiroso e gostoso, da cor do pecado” de Obama para Marcelo Coelho e para a desinibida Amber Lee. Acho Obama um picareta de estilo terceiro-mundista que irrompe na política americana. Mas, até aí, convenham, é questão de gosto.


(...) Que diabo se passa com o Partido Democrata americano, que tem como favoritos uma mulher e um negro com sobrenome islâmico e nenhum homem branco paraenfrentá-los? (...) Para bom entendedor: tomo o par “homem branco” como apelo simbólico à tradição e à conservação de um modelo que, inegavelmente, deu certo e fez a maior, mais importante e mais rica democracia do mundo, que venceu, por exemplo, o embate civilizatório com o comunismo.




"Veja, indispensável para o país que queremos ser"






Por Reinaldo


O paneleiro ladrão

Ele me chamou de chapeleiro? Melhor do que ser paneleiro (ver Houaiss) de sauna. Devolva o que roubou dos cofres públicos, ladrão! Pague o que deve, caloteiro! Pare de roubar o estado, os amigos e até a própria família!

A ratazana confessou que é caloteira: “Ó, gente, peguei dinheiro público e não paguei, viu?, mas sou uma pessoa bem decente. Aí eles renegociaram, né?, e agora eu puxo o saco, fingindo fazer jornalismo, de quem não executa a minha dívida. Fora isso, sou honestíssima”.




E os calotes com dinheiro privado, ratona? Ninguém faz sumir R$ 2 milhões como ela — hoje seria bem mais, né? Coitada da ratazana de sauna!





Dos comentaristas


Anônimo




Disse tudo Reinaldo, e disse com elegancia. Há muito tempo esse escroto merecia tomar uma chamada. Vendilhão de Templo!



Anônimo




Reinaldo, quando sai o livro dos 'pés-na-bunda' dos jornalistas? Quero reservar meu exemplar, deve ter cada história edificante...


Anônimo




Reinaldo,

A maior ofensa que você poderá fazer, no seu livro, a um jornalista canalha será não cita-lo.

Por Reinaldo


Eu não tenho tempo de sentir dó de mim nem de ninguém. Desde os 18 anos, ganho bem mais do que preciso para pagar as contas. É verdade: eu moro muito bem, como muito bem, vivo muito bem. Eu bebo uísque 12 anos desde quando era de esquerda: 12, 15, 18, 21. Até 60. Lula também. E durmo só cinco horas por noite — incluo aí o tempo em que faço amor (logo, menos de cinco...).


Dos comentaristas


COP




Reinaldo,

Essa petralhada tenta medir os outros segundo suas próprias medidas. Dar "porrada" em LULA e na esquerdalha em geral, além de um imperativo moral, dá um grande prazer ! Isso não tem preço. hehehehe

jorge luiz disse...

Reinaldão,

Quem sou eu pra dar conselho pro meu rei, mas por favor não se nivele a esse meliante.

Vou te dizer uma coisa: nunca saberia da existência desse pulha se não fõsse você ficar falando tanto nele.

Não percebe que faz o jogo do escroque? Me admira você!
Deixa o inominável lá, chafurdando no ridículo dele, fazendo linkinho com o ibest, ensinando seus "eleitores" a votar e a multiplicar os votos.

Continue sendo referência e brindando seus leitores com sua inteligência, sagacidade e principalmente indignação com a mediocridade, incompetência e roubalheira da tropa petralha.

Cláudio disse...

Quem é o paneleiro aí (gay) Reinaldo?? Conta.....fala o nome dele.

Anônimo disse...

Olha aí moçada, o Blog é do Reinaldo Azevedo.

Se ele quiser chamar alguém de viado, de vagabundo e ladrão é problema DELE.

Quem quiser entrar no site do Bandolin ou da Pantera cor de rosa, que entre, mas não use o Reinaldo como desculpa.

E parem com esse papo do "politicamente correto".

Senta o dedo nesses porras Reinaldão.

"Veja, indispensável para o país que queremos ser"


Por Reinaldo


E Lancelotti fez a barba...


Vejo nas fotos que o padre Júlio Lancelotti fez a barba para se encontrar com Lula. Aquela aparência de mártir serviu para o período em que estava sendo “perseguido”. Perseguido por sua própria biografia, naturalmente. No abraço com Lula, o padre está com a cara lisa, lustrosa mesmo. Parece mogno com verniz.

Dos comentaristas




Anonymous Mário




Caro Reinaldo,

O abraço dos safados! Com certeza usou a loção após barba adequada para o seu tipo de pele (e carater): óleo de peroba.


Anonymous Anônimo

O padre Lancelotti pode tirar a barba, pode lavar a cara, pode ser recebido e abraçado até pelo Santo Papa. Enquanto não ficar explicado, e bem explicadinho, com que dinheiro vestia o seu fofo, estará de cara suja. E a alma imunda. Mas isso ele terá de prestar contas para Alguém incorruptível.


Anonymous Peru Pachola y su orquestra típica


O Lancelotti fez a barba para não espetar e machucar o saco dos dimenores que ele agasalha e protege.

"Veja, indispensável para o país que queremos ser"

Por Reinaldo

Se é mesmo de coração, então logo os anões, mascates e tocadores de tuba mudam de opinião de novo. O amigo do “Beto” corre o risco de se desintegrar, coitado! Já não sabe mais o que dizer a respeito do caso. A ratazana da sauna espera ansiosamente um sinal para poder dar uma opinião lucrativa. Tem saudade dos tempos em que se achava poderoso o bastante para achacar até um secretário de estado, razão por que caiu em desgraça e levou o bilhete azul no focinho.

Vocês acham mesmo que alguém da VEJA, pouco importa o cargo, enviaria um comentário para o blog de Luis Nassifu?


Anonymous Anônimo
Aí Reinaldão, "Nassifudeu" foi foda... kkkkkkkkkkkk

Anonymous Anônimo
Petralha nojento às 1:17 PM. Ele aparece de novo às 1:27 PM. O canalha se chama Ary. O cara é tão burro que não entende um trocadilho. Nassifu. Castração nele, prá latir fino. E canil.

Por Reinaldo

Sai com essa língua pra lá, baranga.

Quatro ONGs na Amazônia? E nada de um boto cor-de-rosa dar jeito nesse furor? Parodiando Gonçalves Dias, “rejeitada dos homens na guerra, rejeitada dos botos na paz”???

Ui, é a namorada do boto!? Consulado estrangeiro dando respaldo a mais de 15 países? Seria uma suruba diplomática? E escreve “réles”? Tadinha da moça. Essa função diplomática simplesmente inexiste. Claro que há moças versadas em várias línguas para divertir estrangeiros. No Brasil e no mundo. A mais famosa do momento é a impagável Bebel, muito mais interessante, diga-se, do que Camila Pitanga".

(Nota: a personagem era uma prostituta)

"Um bandidinho – na verdade, bandido de médio porte – que foi demitido de um jornal por receber, por fora, dinheiro de empreiteira; que contrai empréstimos e não paga; que é famoso no mercado por dar “carteiradas”, bem, esse mascate de convicções não tem autoridade moral, profissional e ética para julgar meus motivos".

Dos Comentaristas

Paulo Boccato disse...

UAU !

A DONA É QUASE UMA ONU AMBULANTE !

..É QUE CU RRICUULM !!!

CARLOS-DF disse...

(...), MEU AMOR. DEIXE DE BESTEIRA. VÁ GANHAR SEU DINHEIRO. COM TANTOS PREDICADOS, VOCÊ NÃO DEVERIA PERDER SEU TEMPO ENTRANDO NO BLOG DO NASSIF PARA MANDAR RECADO PRO REINALDO AZEVEDO. VOCÊ ESTÁ PERDENDO SEU TEMPO E DINHEIRO COM ISSO... DEVERIA APROVEITAR TODA SUA EXPERIÊNCIA E ABRIR UM BORDEL NA INGLATERRA COM O NOME BRASÍLIA, COMO FEZ Jeany Mary Corner, produtora das festas mas comentadas de Brasília...

Anônimo disse...

Caro Reinaldo, A Pistoleira (...), com certeza tem um empreguinho Publico que esqueceu de dizer, e as 4 ONDs deve receber dinheirinho nossos.

Ela conhece o mundo todo e em todos idiomas, só não conhece o Brasil e seus amigos.

Senhora Doutora "Pistolera" porque não deixa de tomar os remedinho e volta para a realidade, sai dessa "balada-boa", vão acabar com os poucos neuronios que sobraram.

Jose Antonio --- Campinas

Quanto ao Senhor "Nassifoi", experimenta PEIDAR NAGUA PARA FAZER BOLINHA, VAI SE SENTIR FFELIZ, COM O BRINQUEDINHO E DEIXAR DE FALAR E ESCREVER ASNEIRA

Por Reinaldo

Mas (...) (Nota: um senhor com mais de 70 anos) é do tipo que julga ter uma reputação; ele acredita na sua própria pantomima. O seu traseiro, simbolicamente falando, é gordo, polpudo, e merece ter estampada a sola do sapato.

Sobre a série da Veja

Se um meliante moral, agindo a soldo, cria uma cadeia de difamação contra este ou aquele veículos, contra esta ou aquela pessoas, tem de responder pelos seus atos segundo os rigores do estado democrático e de direito, que protege a honra e a dignidade pessoais e a reputação de empresas."

"Veja, indispensável para o país que queremos ser"


Roberto Civita

Ativistas ainda presos!!

Em 2010 ainda TEMOS MUITO QUE FAZER!

A todos e todas que apoiadoram a campanha TicTacTicTac:

Recebemos do Greenpeace internacional a nota reproduzida abaixo, informando que continuam presos em Copenhgue os quatro ativistas que conseguiram se infiltrar no jantar a oferecido a chefes de Estado e governo pela rainha da Dinamarca na CoP15, levando nosso pedido de ação.

Saiba mais no site do Greenpeace Brasil:

http://www.greenblog.org.br/?p=4551

Lá você também poderá assinar a petição global pela liberação dos ativistas presos.

Aproveitamos a ocasião para agradecer a apoio recebido, e para desejar-lhes um bom e merecido descanso neste final ano.

Vamos repor as energias, pois em 2010 ainda TEMOS MUITO QUE FAZER!

Coordenação da Campanha TicTacTicTac
Heróis do Clima passarão o Natal e o Ano Novo, na cadeia, separados de suas familias.

Heróis do Clima passarão o Natal e o Ano Novo, na cadeia, separados de suas familias.

Isso porque tentaram alertar os líderes mundiais para a urgência de serem tomadas medidas contra as mudanças climáticas.
São eles: Juan Lopez de Uralde, da Espanha, Joris Thijssen, da Holanda, Nora Christiansen, da Noruega e Christian Schmutz, da Suiça %u2013 que estão detidos por mais 3 semanas pela Policia dinamarquesa. Estão em isolamento aguardando uma decisão judicial a ser tomada pelo júri previsto para se reunir no dia 7 de janeiro de 2010.

As visitas estão limitadas somente aos advogados e aos representantes de suas
Embaixadas.

Eles foram detidos depois do protesto pacifico organizado pelo Greenpeace no inicio do banquete promovido pela rainha Margarethe II, no Parlamento dinamarquês. Durante o Banquete eles levantaram banners onde estava escrito "Políticos falam, Líderes agem".

Vocês poderão ver fotos das agencias de noticias abaixo:

TF1 Televisão Francesa: http://www.dailymotion.com/video/xbjk7t_les-politiques-parlent-les-leaders_news

http://www.youtube.com/watch?v=FVddj0ens7g

A partir do desastroso resultado de Copenhague, podemos vislumbrar um
Futuro incerto para o planeta em relação à compreensão das mudanças climáticas.

Agora, líderes mundiais, que falharam, estão com suas famílias enquanto 4 heróis do clima estão na cadeia.

O Greenpeace acredita que a prisão dos 4 ativistas durante o Natal e o Ano Novo
É uma atitude desumana e fora de proporções para as ofensas alegadas.

Por isso, pedimos que eles fossem soltos imediatamente, dando a eles as condições de passar este período festivo com suas famílias. Eles retornarão a Copenhague quando solicitado a tempo de estar em frente ao júri e responder sobre as ações que fizeram com os mais nobres objetivos.

Mande um email para: sune.scheller@greenpeace.org ou uma carta escrita à mão e com o desenho de uma criança, ou um cartão de Natal para:
Greenpeace Nordic
Attn: Sune Scheller Bredgade 20, baghuset 4 sal DK-1260

Nossos colegas farão com que as cartas cheguem até eles. Usaremos também as formas mais criativas para usar seus materiais no sentido de conseguir a libertação de nossos ativistas.

Obrigada por seu apoio!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

(Veja XV) O Método Veja de Jornalismo

A degradação jornalística da revista Veja foi fruto de dois fenômenos simultâneos que sacudiram a mídia nos últimos anos: a mistura da cozinha com a copa (redação e comercial) e o afastamento dos princípios jornalísticos básicos.

Vamos analisar um processo de cada vez.

A copa e a cozinha
Os grupos de mídia sempre tiveram interesses paralelos em jogo. Para não contaminar as redações, se procurava tratar em âmbito das cúpulas das empresas. Sempre havia maneiras “técnicas” de vetar determinadas matérias que não interessavam, assim como conferir tratamento jornalístico a matérias de interesse da casa.

Para administrar esse território delicado, as boas redações jamais prescindiram de comandantes fortes e competentes. São os avalistas do jornalismo perante a empresa e da empresa perante a redação. Não vão contra a lógica comercial, mas são os radares, aqueles que informam até onde se pode avançar no noticiário sem comprometer a credibilidade da publicação.

Após a crise cambial de janeiro de 1999, o quadro começou a mudar. Apertos financeiros levaram gradativamente muitas publicações a abrirem mão de cuidados básicos, não só permitindo a promiscuidade entre a copa e a cozinha (redação e comercial), mas também manobras de mercado. Quanto às manobras de mercado, deixo apenas registrado, porque não será tema dessa série.

No início de 1999, um episódio marcaria os novos tempos de Veja. Em 10 de março de 1999, em pleno escândalo das “fitas do BNDES”, a revista recebeu material demonstrando que a Previ tinha assinado acordo com o banco Opportunity, de Daniel Dantas, mesmo tendo sido desaprovado por sua diretoria. A matéria foi feita pelo repórter Felipe Patury (clique aqui).

"No início de fevereiro, um diretor do fundo, Arlindo de Oliveira, mandou uma carta ao presidente da Previ. São três páginas, e o tom é de indignação, expresso em frases que se encerram com três pontos de exclamação. Na carta, o diretor relata que a diretoria da Previ, reunida em julho do ano passado, decidiu que não faria parceria com o Opportunity no leilão das teles tendo de pagar ao banco 7 milhões de reais por ano de "taxa de administração". A diretoria achou o valor descabido e decidiu só fazer o negócio se não tivesse de pagar a taxa. O estranho é que essa decisão foi ignorada. A Previ associou-se ao Opportunity na compra de três teles (Tele Centro Sul, Telemig Celular e Tele Norte Celular) e comprometeu-se a arcar com os 7 milhões de reais por ano, apesar da decisão contrária da diretoria".

Segundo a matéria, a Previ também havia entrado – sem autorização da diretoria – na operação de compra da Telemar que – na época – pensava-se que sairia para o Opportunity.

Na semana seguinte, o repórter conseguiu mais material das suas fontes. Chegou a preparar a matéria. Uma semana depois, na edição de 17 de março de 1999, a matéria não saiu publicada. Mas, pela primeira vez, o banco Opportunity – denunciado na edição anterior – bancou duas páginas de publicidade na revista.


Não batia. O Opportunity não é banco de varejo, não atua sequer no middle market, não havia lembrança de publicidade dele nem mesmo em revistas especializadas – como a Exame.

No dia 31 de março de 1999, mais duas páginas de publicidade do Opportunity.

Esse mesmo procedimento – em mão inversa – seria empregado nas duas edições em que Diogo Mainardi me atacou, em defesa de Daniel Dantas. Só que, nesses casos, a fatura foi mais alta: 6 páginas de publicidade da Telemig Celular e Amazônia Celular em cada edição, 12 ao todo. Também não se justificava tamanho investimento publicitário por parte de empresas que tinham atuação regional.

Qualquer manual de administração ensina que, quando a empresa passa a fugir do comportamento ético nas suas ações externas, acaba contaminando toda a estrutura.

Aparentemente, ocorreu um liberou geral na revista. É o que explica as atitudes de Eurípedes com Eduardo Fischer ou as de Mário Sabino manipulando listas de livros mais vendidos para incluir o seu. E o lobby escancarado da revista em favor de Daniel Dantas, especialmente através das colunas de Diogo Mainardi.

Com escorregões cada vez mais freqüentes, tornou-se difícil – mesmo para os leitores mais atilados – identificar o que eram falhas editoriais, interesse da Abril ou interesse dos diretores da revista.

Havia um fator a mais a estimular a falta de controle: a desobediência ampla aos princípios jornalísticos básicos. E aí se encontra um farto material sobre o mais completo compêndio de anti-jornalismo que a história moderna da mídia brasileira registrou: o estilo Veja de jornalismo.

Desde os anos 80, cada vez mais Veja se especializaria em “construir” matérias que assumiam vida quase independente dos fatos que deveriam respaldá-las. Definia-se previamente como “seria” a matéria. Cabia aos repórteres apenas buscar declarações que ajudassem a colocar aquele monte de suposições em pé.

Essa preparação prévia da reportagem ocorre toda segunda-feira nas reuniões de editores. É chamada de "pensata".

O que era um estilo criticável, com o tempo acabou tornando-se uma compulsão, como se a revista não mais precisasse dos fatos para compor suas reportagens. Ela se tornou uma ficção ampla, algo que é de conhecimento geral dos jornalistas brasileiros.

Ainda nos anos 80, o caso mais célebre foi o do “boimate” – criação de Eurípedes Alcântara, já mencionado em outro capítulo.

Mas, à medida que se entrava na era Tales Alvarenga- Eurípedes- Sabino, final dos anos 90 em diante, esse estilo ficcional passou a arrostar os limites da verossimilhança.

O primeiro filtro sobre uma matéria é avaliar se os fatos relatados são verossímeis. Se passar nesse teste básico, é que se irá conferir se, mesmo sendo verossímeis, também são verdadeiros.

Com o tempo, tornaram-se cada vez mais freqüentes as matérias absurdas, sem nexo, sem conhecimento básico sobre economia, finanças, valores, relações de causalidade. Sobre jornalismo, enfim.

O modelo Veja de reportagem

Antes de análises de caso, vamos a uma pequena explicação sobre como é esse modelo Veja de reportagem.

1. Levantam-se alguns dados verdadeiros, mas irrelevantes ou que nada tenham a ver com o contexto da denúncia, mas que passem a sensação de que o jornalista acompanhou em detalhes o episódio narrado.

2. Depois juntam-se os pontos, cria-se um roteiro de filme, muitas vezes totalmente inverossímil, mas calçado nos fatos supostamente verdadeiros.

3. Para “esquentar” a matéria ou se inventam frases que não foram pronunciadas ou se tiram frases do contexto ou se confere tratamento de escândalo a fatos banais. Tudo temperado por forte dose de adjetivação.

O caso "boimate" é clássico. Depois de cair no conto de 1o de abril da New Scientist - sobre um cruzamento de boi com tomate que resultou em uma carne com molho -, envia-se um repórter para obter uma frase de efeito de um cientista da USP.

O repórter perguntou o que o cientista achava. A resposta foi que era impossível tal experimento. O repórter tinha que voltar com a frase que se encaixasse na matéria, então insistiu: "E se fosse possível!". O cientista, ironizando: "Seria a maior revolução da história da genética".

A matéria saiu com a frase do infeliz dizendo que era a maior revolução da história da genética.

Dentre todos os repórteres, no entanto, nenhum se esmerou mais na arte ficcional do que Policarpo Júnior, recentemente promovido a Diretor da Sucursal de Brasília. Assim como Lauro Jardim e Mainardi cultivam os lobistas cariocas, Policarpo é um freqüentador habitual do submundo de Brasília, convivendo com arapongas, policiais e lobistas em geral.

Vamos a alguns exemplos pré-governo Lula para entender, na prática, em que consiste esse estilo Veja, a partir de algumas obras de Policarpo.

O caso Chico Lopes

Em janeiro de 1999, quando houve o estouro no câmbio, seguiu-se uma catarse geral na mídia, uma busca de escândalos a qualquer preço. Foram publicados absurdos memoráveis que acabaram se perdendo no tempo – como o de que Fernando Henrique Cardoso se valia do seu Ministro-Chefe da Casa Civil Clóvis Carvalho para informar os banqueiros sobre as mudanças cambiais.

O escândalo refluiu, cada publicação tratou de esquecer as ficções que plantou e a vida prosseguiu.

Na época, Veja publicou uma capa acusando Chico Lopes de ter beneficiado os bancos Marka e FonteCindam com informações privilegiadas. Chegou a afirmar que quatro bancos pagavam US$ 500 mil mensais para ele (clique aqui).

A matéria não respondia à questão central: se os dois bancos recebiam informações privilegiadas de Chico Lopes, se Chico assumiu a presidência do Banco Central com a missão precípua de mudar a política cambial porque, raios!, apenas eles quebraram na mudança? Na época, a explicação de Veja já era absurda. Assoberbado com os problemas da mudança cambial, Chico tinha se esquecido de avisar seus clientes (que lhe pagavam US$ 500 mil mensais apenas para ter aquela informação).

O mistério persistiu até o dia 23 de maio de 2001 quando saiu a capa da Veja “A História Secreta de um Golpe Bilionário” um clássico à altura do “boimate”, de Eurípedes Alcântara (clique aqui).


A abertura nada ficava a dever a um conto de Agatha Christie.

O momento mais dramático do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso ocorreu no dia 13 de janeiro de 1999.(...) O que ninguém sabia é que, desde aquele dia, um grupo reduzidíssimo de altos membros do governo passou a guardar um segredo de Estado, daqueles que só se revelam vinte anos depois da morte de um presidente. Após quatro meses de investigação e 22 entrevistas com catorze personagens envolvidos, VEJA desvendou peças essenciais para o esclarecimento do mistério, que resultou na inesperada, e até hoje inexplicada, demissão do presidente do Banco Central apenas duas semanas depois da desvalorização.

A demissão de Lopes tinha sido mais que explicada: os erros na condução da mudança da política cambial.

O então presidente do Banco Central, o economista Francisco Lopes, vendia informações privilegiadas sobre juros e câmbio – e uma parte de sua remuneração saía da conta número 000 018, agência 021, do Bank of New York. A conta pertencia a uma empresa do Banco Pactual, a Pactual Overseas Bank and Trust Limited, com sede no paraíso fiscal das Bahamas. Chico Lopes, como é conhecido, repassava as informações para dois parceiros, que se encarregavam de levá-las aos clientes do esquema. Os contatos entre os três eram feitos por meio de aparelhos celulares. A Polícia Federal suspeita que os números sejam os seguintes: 021-99162833, 021-99835650 e 021-99955055

Salvatore Alberto Cacciola, então dono do banco Marka, do Rio de Janeiro, descobriu todo o esquema por meio de um grampo telefônico ilegal e também passou a ter as mesmas informações privilegiadas. As fitas, que registram as conversas grampeadas, estão guardadas num cofre no Brasil – e há cópias depositadas num banco no exterior. Cacciola chegou a custear viagens a Brasília para que seu contato obtivesse, pessoalmente, as informações de Chico Lopes. Numa delas, seu contato voou do Rio a Brasília num jatinho da Líder Táxi Aéreo (o aluguel do jato saiu por 10 500 reais) e hospedou-se no hotel Saint Paul (a conta: 222,83 reais). Quebrado com a mudança cambial, que seu informante não conseguiu avisar-lhe a tempo, Cacciola desembarcou em Brasília no dia seguinte, 14 de janeiro de 1999, com o que chamou de "uma bazuca". Ela estava carregada de chantagem: ou o BC lhe ajudava ou denunciaria ao país a existência do esquema. O BC ajudou. Vendeu dólar abaixo da cotação e, no fim, Cacciola levou o equivalente a 1 bilhão de reais.

Era um furo fantástico! Em vez de pagar US$ 500 mil mensais, Cacciola descobrira o modo mais barato de obter informações privilegiadas: grampeando celulares.

Na mesma abertura se dizia que ele se informava através de um “grampo” e que tinha um informante.

Nem se fale do contra-senso de alguém experiente em mercado jogar todo seu futuro no resultado de um “grampo”. Qualquer decisão de mudança de política cambial seria imprevista, da noite para o dia. Como confiar toda sua vida financeira a um mero “grampo”?

Segundo a matéria, no dia aziago o grampo falhou e Cacciola quebrou. Indignado, foi tirar satisfações com Chico Lopes, que cedeu à chantagem.

Como foi montado esse nonsense?

Depois de “22 entrevistas com 14 personagens” envolvidos, Policarpo havia conseguido – de fato - as seguintes informações:

1. Com Luiz Cezar Fernandes, ex-controlador do Pactual, em briga com seus ex-sócios, o número da suposta conta-corrente do Pactual em Nova York de onde sairiam os supostos pagamentos para Chico Lopes. Na verdade o número apresentado era o de registro do banco na praça de Nova York, feito junto ao Banco de Nova York – equivale aquele 001 que você confere nos cheques do Banco do Brasil.

2. Na declaração de renda de Luiz Bragança (o suposto intermediário de Chico Lopes no vazamento das informações) algum araponga brasiliense levantou os números dos três celulares. Ou seja, o sujeito montava um esquema super-secreto para transmitir informações, que supostamente renderia US$ 500 mil mensais, valendo-se de telefones celulares – e colocava o numero dos aparelhos na sua declaração de renda.

Como tempero final, um apanhado de fatos e dos boatos mais inverossímeis que circularam por ocasião da mudança cambial.

Bastava isso para se para se ter um enredo que provocou gargalhadas em todos os jornalistas que cobriam a área financeira.

Na época apontei a maluquice; minha colega Mirian Leitão também. E menciono a Mirian por que, anos depois, essa crítica estimularia uma revanche de Veja: ataques continuados contra seu filho Matheus Leitão, repórter da revista Época. Essa história será contada em outro capítulo.

Citado na matéria, o economista Rubens Novaes enviou carta a Veja esclarecendo todos esses pontos. A carta jamais foi publicada. Ele limitou-se a enviar cópias para alguns jornalistas.

Longe de mim afirmar que não houve irregularidade, que Cacciola era inocente, ou mesmo colocar a mão no fogo por Chico Lopes. Na época, mesmo, divulguei indícios fortes de que Cacciola tinha, no mínimo, alguém que lhe passava informações sobre as taxas de juros praticadas pelo Central - e até sugeri a metodologia para identificar essa prática de "insider".

Mas era evidente que toda a matéria de Veja era uma ficção ampla.

Anote esse exemplo porque, longe de exceção, refletia um padrão de "jornalismo" presente em todas as coberturas bombásticas da revista.

Na era Eurípedes-Sabino, Policarpo, repórter de escândalos, freqüentador do submundo dos lobbies de Brasília, tornou-se diretor da sucursal da revista. E seria o autor das capas mais rocambolescas da cobertura do “mensalão”.

Coube a ele divulgar o vídeo em que o funcionário dos Correios, Mauricio Marinho, aceitou a propina de R$ 3 mil. E que deflagrou a campanha do “mensalão”.

Mas este é tema para um outro capítulo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

(Veja XIV) A Imprensa e o Estilo Dantas

Conforme fartamente demonstrado nos capítulos anteriores, antes de fechar com Dantas a direção da Veja o tinha em conta como alguém que comprava reportagens, fabricava dossiês falsos e subornava jornalistas.

No capítulo “Os Primeiros Ataques a Dantas” e “O dossiê falso” esmiuço as sucessivas denúncias de Veja antes de ser cooptada pelo banqueiro. Qual a lógica que leva uma revista a se associar a um empresário que, segundo ela mesmo, espalha dossiês falsos, compra reportagens e jornalistas? Há muitas explicações para isso, nenhuma boa, do ponto de vista jornalístico.

Essa atuação da revista, no entanto, era apenas a ponta final de uma linha de operação que passava por várias instâncias antes de desembocar nos dossiês e informações repassadas ao quarteto de Veja.

O jogo fica mais claro quando se começa a penetrar no mundo de Dantas e a entender melhor a linha de montagem preparada para suas guerras empresariais.

Nelson Tanure ganhou rios de dinheiro entrando em ações judiciais que tinham por único objetivo criar dificuldades para a concretização de algum negócio. Com a lentidão da justiça brasileira, as partes envolvidas achavam mais barato pagar para se ver livre das ações. Caso típico foi a compra do Banco Boavista pelo Bradesco.

A partir das lições de Tanure, Dantas percebeu que ações judiciais, matérias na imprensa, com espionagem, dossiês falsos, faziam parte de uma mesma estratégia, portanto deveriam estar sob um mesmo comando.

Assim, montou uma estrutura de lobby interna, com os diversos elos das disputas empresariais sob o comando de Humberto Braz, diretor corporativo da Brasil Telecom no período em que Dantas esteve no comando da companhia.

Braz integrava e comandava os trabalhos jurídicos (legais e de lobbies), os contatos com espionagem (da Kroll a jornalistas infiltrados no meio), a cooptação de publicações e jornalistas, através do controle das verbas publicitárias e da contratação de assessorias de imprensa incumbidas de atrair jornalistas para o esquema Dantas.

Grosso modo, se poderia desenhar assim o organograma da operação.


Vamos nos fixar na parte jornalística, que é objeto dessa série, e já é dor-de-cabeça o suficiente.

No campo da mídia propriamente dita, a coordenação de Humberto Braz consistia dos seguintes movimentos:

• Agências de Publicidade: não apenas opinava sobre as campanhas da Brasil Telecom, quando sob controle de Dantas, como dava a última palavra nas campanhas da SMP&B e DNA (de Marcos Valério), que eram agências da Telemig Celular e da Amazônia Celular.

• Mantinha contratos formais com sites de informação.

• Tinha contratos polpudos, muito acima dos preços de mercado, com assessorias como FSB e Andreolli, I. Em muitos casos (como a FSB), não havia nenhum relatório de serviços prestados. Pelos valores envolvidos, havia suspeitas de que, por trás de algumas delas, poderiam se esconder jornalistas profissionais militando na mídia.

• Mantinha contato com a Kroll e com jornalistas ou empresários do setor incumbidos do trabalho de informação e espionagem.

O modo de operação obedece a um padrão.

1. Montagem de dossiê, para a qual, além da Kroll, Braz conta com as próprias assessorias de imprensa, além de outros personagens que serão mostrados no decorrer deste capítulo.

2. Depois, o lobista passa as informações para o jornalista cooptado, mastigadas e com a receita pronta sobre como manipulá-las. Nos capítulos "O Post-It de Maianardi" e "Primeiros serviços" descrevo em detalhes em que consistia esse sistema de manipulação das informações.

3. O jornalista publica sem mencionar a fonte, ou mentindo sobre sua origem (caso recente de Diogo Mainardi sobre o dossiê da Telecom Italia).

4. Outros jornalistas, cooptados, repercutem a denúncia.

5. O lobista faz um apanhado do conjunto de informações e agrega ao processo (quando for o caso), como se viesse de fonte neutra.

6. Finalmente, o uso das agências de publicidade para "adoçar" a boca das publicações.

É nesse ambiente de atuação do lobby de Dantas, que o quarteto de Veja se torna um dos operadores mais audaciosos.

O caso Nassif
Vamos a alguns exemplos práticos de como funciona essa linha de produção de escândalos.

Ao longo de 2003, 2004 em diante, andei escrevendo sobre Daniel Dantas, tentando trocar em miúdos o intrincado roteiro de que se valia o banqueiro para confundir a opinião pública.

Fui alvo de uma tentativa de “assassinato de reputação” praticada por Diogo Mainardi através de duas colunas na revista Veja, em 17 e 24 de agosto de 2005. Como relatei no início da série, foi o primeiro serviço prestado pela revista dentro da nova fase de aliança com Dantas.

Na época em que sofri os ataques, tinha escrito colunas informando que as agências financiadoras do “mensalão” – SMP&B e DNA – trabalhavam para a Telemig Celular e Amazônia Celular, controladas por Dantas.

Anote os ataques de Mainardi e me acompanhe por um passeio pela agenda do lobista Humberto Braz.

Dossiê – Sérgio Thompson Flores é um ex-diplomata que enriqueceu com privatizações e tentou seguir os passos de Nelson Tanure, de entrar na mídia como reforço para manobras de lobby. No começo de 2005, estava montado uma revista e me procurou propondo se associar à Dinheiro Vivo. Me atazanou por um mês, querendo um plano de negócios com os dados da empresa. Depois que recebeu, sumiu com as informações. Na mesma época, foi trabalhar na agência Rodrigo Squizatto. Quando estourou o escândalo Kroll, seu nome apareceu em um CD e ele admitiu que trabalhava para a Kroll e seu contato era o português Tiago Verdial.

Thompson Flores reuniu-se com Braz sucessivamente em 11, 15 e 25 de junho, em 2, 6, 9 e 16 de julho de 2004. A Brasil Telecom anunciou na capa da revista durante praticamente todo o ano. Braz reunia-se periodicamente com a Kroll. Provavelmente vem daí a origem do "dossiê" manipulado por Mainardi.

Jornalista –o passo seguinte era encontrar o jornalista “sela”. Conforme relatado nos primeiros capítulos, a cooptação da Veja se dá em meados de 2005, assim como a transformação de Mainardi de parajornalista em agente do lobby. O primeiro serviço prestado foi ele me atacando.

Publicidade – apesar de presidente da holding da Brasil Telecom, Braz dava a palavra final para todas as campanhas preparadas pelas agências SMP&B e DNA, de Marcos Valério. Por exemplo, reúne-se com Marcos Valério e Christiano Paz nos dias 21 e 22 de junho de 2004, 13 e 22 de julho de 2004 e 5 de agosto de 2004.

É de Humberto Braz a autorização final para a veiculação de 12 páginas de publicidade na revista Veja, seis em cada uma das duas edições contendo os ataques de Mainardi. Ou seja, enquanto denunciava a plenos pulmões o "mensalão", Veja recebia 12 páginas das empresas do "mensalão", aparentemente como contrapartida pelo ataque combinado com seu colunista para desviar a atenção sobre as fontes de financiamento do "mensalão".

O caso Márcia Cunha
Vocês se recordam do capítulo “O Caso Edson Vidigal”, onde se narrava a tentativa de “assassinato de reputação” pela Veja em cima do então presidente do Superior Tribunal de Justiça, por ter confirmado a sentença que apeou o Opportunity do comando da Brasil Telecom. Foi na edição de 21 de setembro de 2005.

Em 13 de abril de 2004, os fundos e o Citigroup propuseram uma ação para anular o chamado contrato guarda-chuva (que conferia plenos poderes ao Opportunity para gerir as empresas de telefonia).

Em maio de 2005 a juiza Márcia Cunha, da 2a Vara Empresarial do Rio de Janeiro proferiu a sentença, anulando os efeitos de um acordo guarda-chuva que dava plenos poderes a Dantas. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio.

Foi alvo de uma campanha pesada, que culminou com advogados do Opportunity recorrendo a linguistas, para tentar provar que a sentença não tinha sido escrita por ela.

Através de Mauro Salles, tentaram comprar o parecer de um funcionário da Academia Brasileira de Letras, que recusou. O "imortal" Antonio Olintho não se fez de rogado e aceitou a encomenda. Um dia a ABL ainda terá que colocar essa história em pratos limpos.

Pressionada, a juiza denunciou ter sido alvo de uma tentativa de suborno por parte de Eduardo Rascovisky, falando em nome do Opportunity. Atenção: entre 6 de fevereiro de 2004 e 20 de outubro de 2004, Rascovisky teve 16 reuniões com Humberto Braz.

Qiando a juíza denunciou a tentativa de suborno, a "Folha" incumbiu a repórter Janaína Leite de ir ao Rio cobrir o episódio (clique aqui).

Em vez de se concentrar nas acusações da juíza, Janaína comete uma tentativa de “assassinato de reputação” – sem identificar a fonte da informação. Semanas atrás se ficou sabendo que sua principal fonte de informação era um diretor do Opportunity.

Não é a primeira vez que Márcia Cunha sofre questionamentos administrativos. A primeira foi no início dos anos 1990 e envolvia tentativa de fraude fiscal. A juíza também foi alvo de críticas por aceitar passagens de cortesia da Varig quando julgava processos envolvendo a companhia aérea. (...)

A decisão da juíza foi dada poucos dias após a apresentação da defesa do Opportunity, que contava com mil páginas. Ao todo, mesmo o julgamento sendo liminar e não de mérito, a sentença contava com 40 páginas impressas. Causou estranheza ao Conselho de Magistratura a rapidez e a diferença no padrão de decisões proferidas por Márcia Cunha - geralmente manuscritas e com, no máximo, quatro páginas.

O mesmo modelo da Veja, o mesmo modelo das colunas de Mainardi, um conjunto de informações incompletas, de fatos banais distorcidos que se transformam em escândalos, no formato de um dossiê.

O que seria uma “tentativa de fraude fiscal”? Uma declaração de renda incorreta, algum lançamento errado? A matéria não avançava em informações.

O Opportunity apresentara uma defesa de mil páginas. Suspeita seria a juiza se respondesse com uma sentença manuscrita de quatro páginas. No entanto, era “acusada” de ter escrito uma sentença de 40 páginas no computador.

Era a subversão do conceito de escândalo, mas fazia parte de um procedimento padrão do esquema jornalístico montado, e que seria repetido por Mainardi, Veja, Leonardo Attuch e outros jornalistas que atuavam de forma sincronizada.

Um ano depois, a juíza foi inocentada das acusações. A cobertura da “Folha” voltava às mãos sérias de Elvira Lobato (clique aqui).


Em 20 de janeiro de 2006, os repórteres Chico Otávio e Maria Fernanda Delmas, de “O Globo”, escreviam ampla reportagem sobre a influência de Eduardo Raschkovsky no TJ do Rio de Janeiro (clique aqui).

Em 4 de março de 2006, Elvira Lobato e Pedro Soares mostram as perseguições sofridas pela juiza (clique aqui).

Em quase todos os casos havia a mesma articulação de interesses, a manipulação de denúncias, a chantagem explícita - caso de Mainardi nas suas últimas colunas na Veja.

Algumas vezes o jornalismo conseguia sair vitorioso, como nesse episódio.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Comunicação é isso!!

O vídeo que você vai ver abaixo é uma produção do Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, e foi uma de suas contribuições à 1ª Conferência Nacional de Comunicação - Confecom. Com fino humor e muita ironia, a obra faz um retrato da concentração dos meios de comunicação que observamos em nosso país.
Para contar a história, o diretor Pedro Ekman escolheu "remontar" o antológico e imortal curta-metragem "Ilha das Flores", do gaúcho Jorge Furtado. Para quem não sabe, "Ilha das Flores" foi considerado pelos críticos europeus "um dos 100 mais importantes curtas-metragens do século XX". Este Cloaca News vai mais longe: trata-se de um dos mais importantes filmes da História da Humanidade em todos os tempos, incluindo na lista todas as metragens.
Não por acaso, este blog copiou do cloacanews que o havia surrupiado, como dica, do Viva Babel!
"Comunicação", é isso!!

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

(Veja XIII) Os Mais Vendidos

Ao longo dos últimos anos, duas vertentes determinaram o aprofundamento da deformação editorial da revista Veja. No comando, Eurípedes Alcântara e suas coberturas estranhas; nas entranhas, Mário Sabino, incumbido de coordenar a brigada dos "assassinos de reputação".

Eurípedes, que passou a transitar pelo mundo da política e dos negócios sem dispor de conhecimento mais aprofundado, é altamente agressivo, jornalisticamente limitado, porém habilidoso para disfarçar tanto a agressividade quanto as fontes das coberturas. Seus braços na revista são Lauro Jardim e Diogo Mainardi.

Já Sabino é o truculento, uma espécie de cão de guarda feroz, sem escrúpulos nos ataques a terceiros, praticando cotidianamente o ritual da maldade, com uma agressividade quase pornográfica que se propaga por seus três alter egos: Sérgio Martins, Jerônimo Teixeira e Reinaldo Azevedo.

Guarde por ora essas informações e nomes, enquanto tentamos entender melhor o desastre que foi o fenômeno Sabino para a Veja.

O caráter jornalístico
Há duas características do jornalismo que ajudam a legitimá-lo. Primeiro, investir contra qualquer ameaça de super-poder. Quando quer fuzilar algum personagem público, um dos expedientes mais utilizados pela mídia é superestimar o poder do alvo. Nas sociedades democráticas, a criação do super-poder (ou do mito) é suficiente para mobilizar a opinião pública contra ele.

Uma derivada do princípio anterior, é a denúncia de qualquer forma de utilização indevida dos poderes conferidos. É por isso que denúncias sobre pequenas mordomias ecoam quase tanto quanto aquelas sobre grandes escândalos.

Obviamente, quem denuncia não pode incorrer nesses vícios.

No entanto, esses dois princípios fundamentais foram atropelados de forma impiedosa por Sabino, como se verá a seguir

O Mais Vendido
A seção “Mais Vendidos” é uma instituição da Veja. Criada nos anos 70, se tornou o principal referencial de vendas de livros no país. Aparecendo na lista, aumentam as encomendas do livro e as livrarias passam a colocá-lo em lugar de destaque em vitrines e estantes. Há um ganho efetivo – intelectual e financeiro – em aparecer na relação.

Um dos textos mais agressivos de Veja foi o comentário “O mais vendido”, referindo-se ao jornalista Leonardo Attuch. Veja ainda estava na fase dos ataques a Dantas – que precedeu o grande pacto.


Attuch escreveu o livro “A CPI que abalou o Brasil”. O livro entrou para a lista dos mais vendidos. Depois, descobriu-se que a Editora Siciliano, que lançara o livro, havia inflado os dados de venda incluindo livros em consignação.

A resposta de Veja, ao estilo Sabino (embora internamente se atribua o texto a Eurípedes) foi de uma virulência desproporcional (clique aqui para ler a íntegra):

O mais vendido

Investigado pela Polícia Federal por atividades ilícitas, o negociante de notícias Leonardo Attuch está envolvido em uma nova fraude.

Attuch processou a revista e ganhou.

Depois de qualificar Attuch como “quadrilheiro” e “vendido”, o quarteto de Veja se aproximou dele, compondo a grande frente em defesa de Dantas na mídia. Mas isso é tema para outro capítulo.

Continuemos com os “Mais Vendidos”.


No dia 10 de março de 2004, o romance de estréia de Mário Sabino – “O Dia em que Matei Meu Pai”- foi resenhado na Veja (clique aqui). A resenha foi de responsabilidade do jornalista Carlos Graieb, repórter da revista e subordinado a Sabino. Era algo impensável, vetado por qualquer código de ética escrito ou tácito, que um subordinado fosse incumbido de resenhar um livro do chefe.

Um leitor me informa:

Todos os anos, no mês de dezembro, sai a lista dos “Livros do Ano” do "The Economist". A posição da revista quanto ao tratamento dado à obra de seus talentos internos, está resumida nas seguintes linhas: "Nossa política é não resenhar livros escritos pela nossa equipe ou por colaboradores habituais, por que os leitores poderiam duvidar da independência dessas resenhas".

Na resenha que Graieb fez do livro de seu chefe, no entanto, os elogios eram derramados:

"Dois tipos de sedução aguardam o leitor de O Dia em que Matei Meu Pai (Record; 221 páginas; 25,90 reais). Primeiro, a sedução do bom texto literário, à qual ele pode se entregar sem medo. O romance de estréia do jornalista Mario Sabino, editor executivo de VEJA, é daqueles que se devoram rápido, de preferência de uma vez só, porque a história é envolvente e a linguagem, cristalina. Sabino possui atributos fundamentais para um ficcionista, como o poder de criar imagens precisas: em seu texto, ao ser atingido pelas costas um personagem não apenas se curva antes de desabar; ele se curva como se fosse "para amarrar os sapatos"".

A resenha destaca a passagem mais marcante do livro, um diálogo do personagem com o psicanalista, à altura de uma cena hamletiana:


"A certa altura, ele grita para sua analista: "Não quero saber de interpretações. Faça-as longe de mim, e sem a minha colaboração. De que elas servem, meu Deus? Você, aqui, não passa de coadjuvante, está entendendo? Por isso, não tente ser protagonista por meio de suas interpretações"".


Escrita a resenha, foi encaminhada ao editor responsável pela liberação: o próprio Sabino. Ele conferiu o título, aprovou a foto em que aparece com o ar circunspecto dos grandes autores atormentados, e mandou para a gráfica.

No dia 31 de março de 2004, três semanas após o panegírico, a relação dos livros mais vendidos na categoria “Ficção" era a seguinte:

1o Perdas e Ganhos, de Lya Luft
2o Pensar é transgredir, de Lya Luft
3o Budapeste, de Chico Buarque
4o As Filhas da Princesa, de Jean Sasson
5o Onze Minutos, de Paulo Coelho
6o O Beijo da Morte, de Carlos Heitor Cony e Anna Lee
7o Harry Potter e a Ordem do Fênix, de J.K. Howlling
8o O Rei das Fraudes, de John Grisban
9o Sobre meninos e lobos, de Dennis Lehane
10o Paixões Obscuras, de Nora Robers.

O livro de Sabino não aparecia.

Na edição seguinte, de 7 de abril de 2004, a seção dos “Mais Vendidos” anunciava uma mudança nos critérios de classificação dos livros.

“Da categoria de ficção farão parte apenas romances e coletâneas de contos. Da categoria de não-ficção constarão ensaios e biografias, mas também livros de crônicas, cuja referência principal se encontra no noticiário e no registro de uma realidade mais imediata” Isso acontecerá ainda que o cronista lance mão de recursos ficcionais"

Não fazia sentido. Há um padrão consagrado nas listas e nas premiações de considerar crônicas como Ficção. Segundo o leitor Saulo Maciel, que percebeu essa manobra:

"Um livro de Luis Fernando Verissimo – 100% ficcional –, depois de dois anos na categoria Ficção, passava a ser considerado Não-Ficção, embora o próprio sítio internet de sua editora, a Objetiva, o incluísse na página Ficção. (Recentemente os livros de Verissimo voltaram a figurar, sem explicação aparente, na categoria Ficção). A revista também não explicava por que quatro livrarias haviam sido excluídas da lista de estabelecimentos consultados. (Basta conferir com a edição anterior)"

Quatro livros da categoria “Ficção” foram transferidos para a “Não Ficção”: os dois da campeã Lya Luft, “As Filhas da Princesa”, e um de Luiz Fernando Veríssimo.

Essas mudanças permitiram ao livro de Sabino entrar em 10o lugar na lista, na categoria “Ficção” (clique aqui).


Geralmente o livro entra na relação dos mais vendidos na semana do lançamento, ainda mais após a exposição recebida de Veja. O de Sabino entrava na terceira semana, à custa da mudança de critérios e da exclusão de livrarias pesquisadas.

Mesmo com as alterações nos critérios, o livro não resistiu e sumiu da lista na semana seguinte. Depois, sem muito alarde, voltaram os critérios originais dos "Mais Vendidos".

Pouco tempo depois, Graieb foi promovido.

As mordomias do cargo
Não ficou apenas nisso. Valendo-se do prestígio conferido pelo cargo, Sabino estabeleceu contatos pessoais para “emplacar” o livro. Marcou almoço com Otávio Frias Filho, da “Folha”. Em 1986, Sabino havia sido demitido do jornalpor ser considerado muito parcial na edição da página de livros da Ilustrada: defendia seus amigos e atacava impiedosamente os inimigos. Agrediu, por exemplo, o escritor Marcos Rey, chamando-o de "sapo". Como se ele, Sabino, tivesse a fina estampa de um príncipe.

No dia 10 de dezembro de 2003, Sabino fez questão de assinar resenha consagradora do livro lançado por Otávio. Logo após o almoço, Sabino obteve uma resenha elogiosa da "Folha".

Na “Época” recorreu a seu então amigo Luiz Antonio Giron – que, depois, seria alvo de uma tentativa de “assassinato de reputação” no caso dos IPods de Maria Rita -, ganhando mais uma resenha elogiosa.

O uso do cargo em proveito próprio não ficou só nisso.

O caso Record
De 2003 a 2007, Mário Sabino foi namorado da diretora editorial da Record, Luciana Villas-Boas. Houve troca de favores, na época, que provocou ressentimento tanto nas editoras concorrentes como das seções de lançamento de livros de outras publicações.

Entusiasmada com o talento nascente do namorado (ironia da fonte que me relatou a história), durante a Bienal do Livro em São Paulo de 2004 Luciana mandou espalhar outdoors por toda a cidade, vendendo Sabino como a grande descoberta do novo romance brasileiro.

Mesmo assim, tirando resenhas de amigos e subalternos, a repercussão foi quase nula.

Mas, a partir dessa relação, a seção de Livros de Veja passou a dar tratamento diferenciado para a Record – e a Record a dar com exclusividade, para Veja, o anúncio de seus lançamentos mais relevantes. Se a Abril quiser aprofundar, bastará consultar as editoras concorrentes.

A Record se indispôs com todos os demais veículos, ao privilegiar Veja no lançamento de alguns títulos - caso de “Memórias de Minhas Putas Tristes”, de Gabriel Garcia Márquez, que saiu com chamada na capa de Veja, e livros de Lya Luft, com várias exclusividades para a revista. E Veja se indispôs com outras editoras, pelo favorecimento explícito à Record.

Sabino ia conseguindo pavimentar seu prestígio pessoal, à custa desse duplo desgaste, da revista Veja e da editora Record.

A situação tornou-se tão escandalosa, que várias chefes de revistas concorrentes foram tomar satisfações com Luciana.

Mesmo assim, seguiu-se um jogo de troca de favores poucas vezes visto no jornalismo cultural brasileiro. Sabino assinava uma resenha positiva sobre Miguel Sanches Neto. Grato, Miguel fazia uma entrevista laudatória com Sabino e incluía um conto seu na coletânea “Contos para Ler”. O volume era publicado por Luciana Villas-Boas, que conseguia nota bajulatória em Veja.

Mas não se ficou nisso.

Como conta um jornalista do setor, o esquema de divulgação da editora Record segue uma velocidade de McDonald's. Ela lança um livro por dia, e não dá atenção aos autores por muito tempo. Mas Sabino mereceu tratamento vip: além dos outodoors, seus livros passaram a ser oferecidos no Exterior, graças ao empenho pessoal de Luciana e à enorme enorme influência da Record, maior editora brasileira.

O segundo livro de Sabino, “O Antinarciso” foi resenhado pelo escritor e médico gaúcho Moacir Scliar.

Na edição de 11 de maio de 2005, o romance “Na Noite do Ventre, o Diamante”, de Scliar, mereceu resenha elogiosa de Jerônimo Teixeira (clique aqui), subordinado de Sabino.

Duas edições depois, em 25 de maio de 2005, Scliar resenhou o livro de contos de Sabino (clique aqui). Scliar é um escritor sério. Mas não havia nenhuma possibilidade de uma resenha negativa.

No fecho da resenha, Scliar chamava a atenção para o título “O Antinarciso”, que não sai de nenhum dos contos:

"A esse narcisismo cego, que barra as possibilidades afetivas dos personagens, é que se contrapõe o olhar atento do autor antinarciso. E também se opõe à tentação que assalta muitos escritores contemporâneos – de girar em torno ao próprio umbigo, de fazer do pronome "eu" a palavra mais importante da literatura. Os contos de Mario Sabino mostram que a subjetividade só tem sentido quando está a serviço do entendimento, quando funciona como um sensível sismógrafo capaz de captar as vibrações da alma".

O compadrio na literatura
O “compadrio” no meio editorial é conhecido. No início daquele ano, um jornalista cultural anotou o seguinte sobre as "orelhas" de livros:

“Longe de serem acessórios dispensáveis a um bom livro, introduções ou orelhas assinadas são com freqüência moeda de troca do compadrio literário. O autor do elogio confirma seu prestígio cultural e ainda ganha um troco das editoras. O escritor elogiado recebe um empurrãozinho na carreira. Só perde o leitor ingênuo, que acredita no aval dos medalhões literários”.

A matéria "Pagos para elogiar" era da própria Veja, em 26 de janeiro de 2005, assinada por Jerônimo Teixeira (clique aqui). Era maldosa, ao estilo Veja, escrita especificamente para atingir Luiz Fernando Veríssimo e Carlos Heitor Cony.

Mencionava genericamente pagamentos por "orelhas", depois levantava algumas "orelhas" assinadas por Luiz Fernando Veríssimo e Carlos Heitor Cony – adversários ideológicos. Não havia uma prova sequer que teriam “vendido” os comentários – ao contrários dos resenhistas de Veja, que eram remunerados quando teceram loas a Sabino.

Mas, dentro do estilo malicioso da revista, ficava a insinuação.

A matéria valia pela lição de Veríssimo, sobre a arte de elogiar um trabalho que não entusiasma:

"A única arte, ou dificuldade, é escrever algo favorável sobre um trabalho que não entusiasma sem parecer condescendente ou falso. Em geral, isso é feito para ajudar alguém que está começando."

Grande escritor, na resenha de "O Antinarciso" Scliar deu uma demonstração soberba de como escrever algo favorável de um livro que não o entusiasmou, como a "orelha" escrita para um amigo iniciante:

"Com uma apurada economia de linguagem, seus textos mergulham, em sua própria expressão, no "buraco negro" em que cada personagem esconde não só sua miséria, mas também sua grandeza.”

(...) "Em alguns casos, a narrativa se resume a um diálogo, forma que o autor maneja com agilidade e objetividade – basta ver Miserere, surpreendente conversa entre um ser que se julga culpado e um interlocutor que detém um poder infinito".

(...) "Em Da Amizade Masculina, a ligação entre dois colegas de uma faculdade de filosofia serve para um exame da natureza do relacionamento entre homens"

(...) "A esse narcisismo cego, que barra as possibilidades afetivas dos personagens, é que se contrapõe o olhar atento do autor antinarciso" .

(...) "Os contos de Mario Sabino mostram que a subjetividade só tem sentido quando está a serviço do entendimento, quando funciona como um sensível sismógrafo capaz de captar as vibrações da alma".

O antinarciso
O levantamento das mudanças na lista dos “Mais Vendidos” foi publicado por Saulo Maciel em 2005, no Observatório da Imprensa. Passou despercebido.

Semanas atrás, quando republiquei seu artigo no meu Blog, Sabino decidiu se valer de Reinaldo Azevedo - blogueiro do portal da Veja, contratado e comandado por ele.

Subordinado a Sabino, tratando-o com um temor reverencial, Azevedo resolveu "espontaneamente" solicitar-lhe um artigo, para que pudesse falar de seu próprio valor literário.

O “pedido” de Azevedo é um marco do jornalismo bajulatório; a resposta de Sabino um marco do jornalismo auto-laudatório. Juntando as duas partes, se terá o quadro mais expressivo, até agora, das deformações que passaram a fazer parte do ambiente interno da revista, refletindo-se inevitavelmente em seu conteúdo. Leitores mais argutos, aliás, perceberam que os dois textos - o do "pedido" e do "aceite" - tinham estilos muito semelhantes, praticamente idênticos.

De Reinaldo Azevedo ou de seu ghost-writer:

“Vejam só: sou um pouco mais briguento do que algumas pessoas com as quais convivo. Por mais que certos ataques sejam de impressionante vileza, de uma estupidez ímpar, acabam ganhando a rede e são usados como instrumento de luta pela Al Qaeda eletrônica. E precisam ter uma resposta. Uma resposta dada às pessoas de bem, não aos terroristas. Mario Sabino, redator-chefe da VEJA, tem sido alvo de uma impressionante baixaria. Por isso, eu o convidei a escrever um texto para o blog. E pedi: “Gostaria que fosse um testemunho, na primeira pessoa mesmo". Acabamos combinando que ele me mandaria um e-mail, que eu publicaria se achasse conveniente.

Trata-se de um jornalista brilhante — nem quem eventualmente o detesta lhe nega isso — e de um escritor formidável, além de bem-sucedido. Certos círculos têm horror à competência”.

Estava falando do próprio chefe. Mas como um bom seguro não faz mal a ninguém, do nada Azevedo estendia seus elogios ao diretor de redação da “Folha”, Otávio Frias Filho:

"Em 2003, resenhei, por exemplo, ainda na revista Primeira Leitura, o excelente livro Queda Livre, de Otavio Frias Filho. Gostei tanto da resenha, que a publiquei em Contra O Consenso, uma antologia de artigos meus. Aponto ali que os livros de Otavio costumam ter uma recepção fria da crítica por ele “ser quem é, não por escrever como escreve”. Explico-me: ofende certa mentalidade escrava o fato de o diretor de redação (e dono) da Folha ser também um dos melhores textos do país.

Ah, não. Não estava procurando emprego. Se estivesse, acho que Otavio não me contrataria se o preço fosse uma resenha favorável (...) Um petralha vagabundo (pleonasmo) enviou-me um comentário: “Aí, hein?, puxou o saco do Otavio no seu livro, mas ele acham você um lixo, ka, ka, ka” (esse “ka, ka, ka” é como estranhamente representa graficamente o que suponho ser sua risada).

Vou fazer o quê? Descobrir defeitos no texto de Otavio porque um articulista seu decide me atacar de modo boçal, rasteiro? Arrepender-me? Ah, não! Esse não sou eu. O mundo em que vivo é feito de outras qualidades. Que eu saiba, Otavio prepara um novo livro, que aguardo com muito boa expectativa."

Um desrespeito amplo, quase uma proposta de suborno, como se a lisonja ajudasse a calar críticas contra o Blog, que começavam a aflorar de colunistas da "Folha".

Tudo isso no site da Veja, como parte do seu conteúdo editorial.

Sobre esses círculos de adulação, capaz de chocar qualquer pessoa com um mínimo de caráter ou pudor, escreverei em outro capítulo.

Interessa, neste momento, a resposta de Sabino, o autor de “O Antinarciso”, o escritor que, segundo Scliar, se opunha
“à tentação que assalta muitos escritores contemporâneos – de girar em torno ao próprio umbigo, de fazer do pronome "eu" a palavra mais importante da literatura”.

"Reinaldo, caro,

Com o risco de parecer cabotino, o fato é que sou um autor bem-sucedido. Tenho dois livros publicados, o romance O Dia Em Que Matei Meu Pai, de 2004, e um de contos, O Antinarciso, de 2005. Antes de lançar o romance, mostrei-o a Raduan Nassar, que deu duas sugestões — acatadas — e me fez elogios. Disse que eu era um narrador "brilhante", adjetivo do qual, vindo de quem veio, muito me orgulho. Poucas pessoas têm conhecimento disso. Só o revelo agora por causa dos insultos que ando recebendo. O livro vendeu, no Brasil, cerca de 4 500 exemplares, uma marca, como você sabe, acima da média nacional. Não precisei mendigar críticas positivas, ao contrário do que espalham os inimigos de VEJA. Ele foi elogiado na Folha, no Estado, no Globo, na Bravo! e outras publicações especializadas, como o jornal Rascunho, de Curitiba. Até a revista Época, concorrente de VEJA, brindou-me com uma resenha elogiosa, escrita por Luís Antonio Giron"

Até os menos argutos perceberam a esperteza de atribuir as revelações aos "inimigos de Veja". Era apenas uma tentativa canhestra de se esconder atrás da blindagem. Quando se valeu do cargo para benefício pessoal, seguramente Sabino não estava defendendo os interesses de Veja. Até hoje, aliás, Giron lamenta seu momento de simpatia pelo livro. Fez o elogio, foi alvo de um ataque baixo da revista. Depois, seu nome foi utilizado para avalizar o algoz. Sobre o fato do livro ter sido resenhado por um subordinado que, na seqüência, foi promovido, a explicação de Sabino era de um simplismo atroz:

"O livro recebeu uma bela resenha em VEJA, escrita por Carlos Graieb, um profissional honrado, tradutor de Emerson e ex-editor de Opinião do Estadão. O livro foi passado a Graieb pelo diretor de redação, Euripedes Alcântara. O que sei é que Carlos Graieb leu e gostou. Ele foi promovido depois? Foi, mas não por causa da resenha positiva, como afirmou um detrator da revista. A promoção já estava acertada muito antes de eu publicar o meu livro. Seu desempenho extraordinário como editor de Artes e Espetáculos justificou a ascensão. VEJA chegou ao posto de quarta revista semanal do mundo porque, em sua redação, vigora a meritocracia, não o compadrio".

Sabino prosseguia o inacreditável libelo do “antinarciso”, explicando o sucesso do seu romance:

"O romance está fazendo uma carreira internacional, se me permite o adjetivo, estupenda. Já foi publicado em Portugal e Itália" .

“O Antinarciso” fez carreira mais modesta. Culpa de quem? Dos petistas.

"O Antinarciso foi finalista, ainda, do Prêmio Portugal Telecom em 2006. Apesar de chegar à final, houve boicote dos jurados. Como sei? Um deles, do qual declino o nome por razões óbvias, contou à editora Record que boa parte dos jurados, petistas ou simpatizantes havia concluído que "para alguém da direita, o Sabino já havia ido longe demais. Um editor da VEJA não pode ganhar o prêmio". Obviamente, não compareci à entrega. Sou péssimo ator. Tudo bem, não ligo para o boicote, mas é um desaforo me acusarem de manipulador. Quem manipula são eles".

Se entrar no site da Amazon e clicar "Luís Nassif", aparecerão o CD "Roda de Choro", relançado alguns anos atrás, e meus livros "O Menino de São Benedito" e "Os Cabeças de Planilha". Não ousaria dizer que nenhum deles foi sucesso internacional, nem mesmo nacional, apesar do primeiro ter sido finalista da categoria Conto/Crônica, do Prêmio Jabuti. Hoje em dia, provavelmente está fora de catálogo, mas continua aparecendo na Amazon. Não é prova de qualidade, mas comprovação de que a Amazon oferece todo tipo de livros.

Se clicar o nome de Mario Sabino, aparecerão três menções: uma ópera de Verdi (que nada tem a ver com ele), uma pornochanchada (presumo que não), e seu livro "O Antinarciso", edição brasileira. Nenhuma obra em outra língua.

Sobre a manipulação da lista de Veja, Sabino envereda por um contorcionismo extravagante:

"Quanto aos livros que, naquele momento, passaram a ser considerados "não-ficção", qualquer pessoa alfabetizada que os abrir verificará que fizemos o certo. Aliás, é comum que as livrarias forneçam à imprensa listas em que trocam os livros de categoria, como sabem os profissionais encarregados de fazer as tabulações nos jornais e nas revistas. Esses ajustes, pelo menos em VEJA, são freqüentes. Se não me engano, meu romance, na ocasião em que foi lançado, vendeu, na primeira e segunda semanas, 300 e 250 livros, respectivamente. Foi o bastante para pegar o último lugar na lista de ficção, numa única semana. Convenhamos que, como manipulador, sou um desastre."

Foi um desastre como autor. A manipulação ocorreu, ocorreram os favores de amigos, o acordo com a Record que garantiu campanha de outdoor nas ruas. E nem assim o livro emplacou. Em nenhum momento informou em que outra ocasião os critérios dos Mais Vendidos foram alterados.

No artigo publicado, Sabino informava ter expurgado a livraria Nobel da lista porque ela estava fornecendo números errados.

"Em 2004, por ocasião do lançamento do meu romance, descobrimos que a livraria Nobel inflava os números..."

Mas o post de Saulo Maciel não mencionava a Nobel, mas outras livrarias que misteriosamente desapareceram da lista de uma semana para outra: a Livraria Porto, de Porto Alegre; as livrarias Leitura de Brasília e Belo Horizonte; a Livraria Catarinense, de Florianópolis; e a Livraria Curitiba, de Curitiba.

Duas coisas chamavam a atenção. Uma, a falta de limites em colocar seu cargo a serviço de seus interesses pessoais, inclusive comprometendo uma das instituições de Veja, a lista dos "Mais Vendidos". Mas isso é problema de Roberto Civita.

A segunda, o fato de Sabino julgar que o nível raso de seus argumentos poderia convencer qualquer leitor medianamente informado de que não houve manipulação. Como explicar que esse nível primário de argumentação, em um texto quase tatibitate, pudesse ser de um "jornalista brilhante — nem quem eventualmente o detesta lhe nega isso", nos dizeres de seu subordinado, Azevedo?

Tudo isso passou incólume no jornalismo impresso por que, a esta altura, a imprensa estava contaminada por um fenômeno que, na França, foi batizado de "Os novos cães de guarda": a montagem de grupos de auto-promoção, com um exercício tão ostensivo de agressividade gratuita (contra os de fora) e de lisonja (para os poderosos), de auto-promoção escandalosa, que amordaçava a mídia. Mas era impossível passar despercebido dos formadores de opinião, aqueles cujo consenso, a médio prazo, ajuda a consagrar ou a tirar a credibilidade de publicações.

Esse processo de compadrio, de colocar a revista a serviço da promoção pessoal, a linguagem chula, os ataques gratuitos, marcas do estilo Sabino, trouxeram mais desgaste à Veja do que as coberturas estranhas de negócios empresariais.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Saga de "Veja"

Gostaria de esclarecer que transcrevo "O caso de Veja" por Luis Nassif, com a anuência do mesmo.
Num tempo onde a crise de confiança nas pessoas e nas instituições públicas, tem sido bastante pertinente, por vários exemplos lamentáveis a que temos presenciado, vide "Veja", acredito em Nassif.
Acredito, por sua seriedade profissional, acima de qualquer outro eventual vínculo ideológico alheio à honestidade, que me parece clara no jornalista.
Desconheço, ele pode até ter dado alguma "barriga" nesta sua labuta, mas seguramente, me parece, nunca, por faltar com a lisura.
Escrevo isto, para que para quem abra, de repente, aqui no blog, não pense que as matérias são minhas, que ganho alguma coisa com isso, a não ser o prazer de estar sendo eventualmente útil, como auxiliar para o esclarecimento de pessoas que ainda se iludem com aquele semanário e, tecnicamente, para alertar que os link's, que clicados nestas matérias, por ventura não abrirem corretamente, é porque foram "devidamente" corrompidos (ôps!!), por quem de direito.
Boa Semana!!